e uely vilel A A J.g. rod A s A go A esc A l A d A d A ... demitiu por “justa...

download e uely vilel A A J.g. rod A s A go A esc A l A d A d A ... demitiu por “justa causaâ€‌ ao final

of 11

  • date post

    19-Jan-2019
  • Category

    Documents

  • view

    218
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of e uely vilel A A J.g. rod A s A go A esc A l A d A d A ... demitiu por “justa...

  • 132 Revista Adusp setembro 2017 www.adusp.org.br/imprensa/revista-adusp

    de suely vilelA A J.g. rodAs e m.A. zAgo, A escAlAdA dA represso

  • www.adusp.org.br/imprensa/revista-adusp Revista Adusp setembro 2017 133

    Quase dez anos antes das cenas de represso em fren-te ao Co, o professor J. G. Rodas, da Faculdade de Direito (FD), j mostrava sinais dos procedimentos de que lana-ria mo sempre que pressionado pelo movimento estu-dantil e outros movimentos sociais. Em agosto de 2007, na gesto reitoral de Suely Vilela, o futuro reitor ainda era diretor da Faculdade de Direito quando a unidade foi ocupada por manifestantes ligados UNE, MST, Educafro e outras organizaes, como parte da Jornada de Lutas em Defesa da Educao Pblica. Os cerca de 300 ocupan-tes haviam feito um acordo com representantes da dire-toria da FD de que a ocupao duraria apenas 24 horas, e que deixariam o prdio no dia seguinte. Porm, em plena madrugada, o local foi reintegrado com violncia pela Tropa de Choque, a pedido do diretor. Todos foram deti-dos e encaminhados a uma delegacia. J.G. Rodas declarou ao Informativo Adusp que preferiu agir imediatamente porque tais movimentos no so confiveis e que nun-ca pensei que tivesse aluno l dentro (edio 243, http://bit.ly/2wohvSI).

    Dois anos depois, a reitora Suely demonstraria com-partilhar da mesma opinio. Em junho de 2009, uma gre-

    ve de funcionrios e estudantes ganhava fora ao exigir o reajuste salarial, o fim da Universidade Virtual do Estado de So Paulo (Univesp) e a readmisso de Claudionor Brando, diretor do Sintusp demitido no ano anterior. (Apesar de Brando ter sido absolvido em processo cri-minal, a gesto Suely agiu na contramo da justia e o demitiu por justa causa ao final de um processo admi-nistrativo disciplinar.)

    Acuada com a greve, a reitora pediu a interveno da Polcia Militar para lidar com os piquetes de funcionrios. A autorizao para tanto partiu do Conselho Universit-rio (Co), por proposta de, ele mesmo, J.G. Rodas. A pre-sena da PM com fins repressivos na USP foi oficialmente liberada, fato que no acontecia desde a Ditadura Militar. Em repdio, a mobilizao cresceu entre os outros seto-res e os docentes aderiram greve.

    Na mesma semana em que PM passou a intervir den-tro do campus, um ato com cerca de 500 pessoas marchou em direo Rua Alvarenga. Quando o protesto retorna-va ao campus, a Fora Ttica e a Tropa de Choque repri-miram o ato sem motivo, transformando a manifestao poltica pacfica em uma batalha campal. Por mais de

    Rodrigo NevesEstagirio de Jornalismo

    Nos ltimos doze anos a USP testemunhou a construo de uma engrenagem institucional extremamente autoritria, cuja finalidade principal esvaziar a discusso sobre o futuro do ensino superior pblico na USP e no Brasil. O resultado final das trs ltimas gestes reitorais um refinado sistema de represso poltica, que combina o produtivismo acadmico, perseguies administrativas e judiciais e a ao da Polcia Militar. Esta se d no cotidiano por meio do Sistema Koban, que espiona movimentos sociais e age como tropa de ocupao dos campi. Quando preciso, chama-se a Fora Ttica

  • 134 Revista Adusp setembro 2017 www.adusp.org.br/imprensa/revista-adusp

    uma hora, os manifestantes foram perseguidos no inte-rior da Cidade Universitria at se verem acuados dentro do prdio da Histria e Geografia, cercados por policiais e helicpteros. A Adusp props a renncia imediata de Suely (http://bit.ly/2woB8tY).

    A cena de uma universidade sitiada, agredida e hu-milhada chocou a comunidade da USP, mas passaria a ser ofuscada pelas aes do prximo reitor. Aps o as-sassinato de um estudante da Faculdade de Economia, Administrao e Contabilidade (FEA) que reagiu a um assalto noturno em maio de 2011, J.G. Rodas aproveitou o sentimento de insegurana decorrente da tragdia pa-ra celebrar, em setembro seguinte, um convnio com a Secretaria de Segurana Pblica (SSP) que definia a fixa-o de um contingente de 30 soldados da PM na Cidade Universitria. A partir da, a presena policial tornou-se regra e no mais exceo.

    No entanto, at o fim da gesto da Rodas, a ocorrncia de crimes no campus do Butant continuou a aumentar, demonstrando a falcia das suas alegaes em favor do convnio com a SSP. A iluminao, pressuposto elemen-tar de uma poltica de preveno, continuou deficitria

    Reitora Suely Vilela2009: contra funcionrios e estudantes a PM usou at metralhadora

    Fotos: Daniel Garcia

  • www.adusp.org.br/imprensa/revista-adusp Revista Adusp setembro 2017 135

    por dois longos anos, e o contingente da Guarda Univer-sitria (GU) continuou minguando, sem ampliao e nem mesmo reposio de aposentados.

    No dia 8 de novembro de 2011, a PM mobilizou mais de 400 homens do Batalho de Choque e da Cavalaria, do GATE e do GOE para reintegrar o prdio da Reitoria. Alunas denunciaram que foram torturadas. Foram detidos 73 estudantes

    No demorou mais de um ms aps a assinatura do con-vnio para surgirem relatos de abordagens truculentas e arbitrrias da PM dentro da Cidade Universitria, como o de um aluno da ECA enquadrado por olhar feio para policiais. A gota dgua se deu no dia 27 de outubro de 2011, quando trs estudantes da FFLCH foram detidos no prdio da Hist-ria por posse de maconha. A ao foi imediatamente ques-tionada por um protesto espontneo de cerca de 300 estu-dantes, que tentaram impedir que os colegas fossem levados para uma delegacia. A PM reagiu e iniciou um confronto. No mesmo dia a diretoria da FFLCH foi ocupada pelo movimen-to estudantil e, dias depois, o prdio da Reitoria.

    J.G. Rodas respondeu ao movimento como em 2007, desta vez utilizando o cargo de reitor para empregar ainda mais fora e truculncia. No dia 8 de novembro de 2011, a PM mobilizou mais de 400 homens do Batalho de Choque e da Cavalaria, do Grupo de Aes Tticas Es-peciais (GATE) e do Grupo de Operaes Especiais (GOE) para reintegrar o prdio ocupado por 73 estudantes. Alu-nas denunciaram que foram torturadas por soldados da PM. Desproporcional, espetacular, truculenta, a ao que resultou na deteno de todos os ocupantes recebeu o re-pdio de grande parte da comunidade acadmica. Os es-tudantes decretaram greve, que permaneceu at janeiro de 2012. Contudo, aproveitando-se do perodo de frias e do refluxo da mobilizao, o reitor decidiu eliminar qual-quer resqucio de resistncia democrtica, recorrendo a medidas administrativas persecutrias.

    Antonio Candido e Marilena Chau no ato de repdio invaso protagonizada pela PM

  • 136 Revista Adusp setembro 2017 www.adusp.org.br/imprensa/revista-adusp

    Em dezembro de 2011, na sequncia da reintegrao de posse da Reitoria, a Reitoria expulsou seis estudantes, que supostamente haviam participado da ocupao de salas da ento Coseas, hoje Superintendncia de Assistn-cia Social (SAS), responsvel pelo Conjunto Residencial (Crusp). A reivindicao dos ocupantes era que as salas fossem cedidas para moradia. No Carnaval de 2012, apro-veitando o esvaziamento do campus, convocou novamen-te a Tropa de Choque, desta vez para reintegrar a Coseas, operao que resultou na deteno de 12 estudantes.

    A estratgia de J.G. Rodas combinou o uso da fora bruta com a criminalizao dos movimentos, por meio da multiplicao de processos internos ou judiciais. Em 2012, ele chegou a interpelar judicialmente a diretoria da Adusp, com base na interpretao esdrxula de um edito-rial publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo. A interpela-o foi arquivada pelo justia. No mesmo ano, os alunos detidos nas reintegraes de posse do prdio da Reitoria (73) e da Coseas (12) passaram a ser intimados para depoi-mentos em processos administrativos disciplinares (PAD) completamente controlados pela gesto Rodas e conduzi-dos por um novo rgo, sinistramente designado, a Pro-curadoria Disciplinar. Nesse contexto, o Sindicato dos Trabalhadores (Sintusp) tambm no saiu ileso: cinco de seus diretores foram objeto de PAD por terem atentado contra a liberdade de trabalho, por dano qualificado,

    provocao de tumulto e conduta inconveniente.A postura ditatorial de J.G. Rodas foi azeitada por

    mudanas na estrutura da universidade. Tendo criado a Superintendncia de Segurana (como rgo superior da GU), o reitor anunciou que trs coronis reformados da PM ficariam responsveis pelo rgo. Tambm re-formulou a antiga Consultoria Jurdica da universidade, transformando-a em Procuradoria Geral (PG), momento

    J.G. Rodas (primeiro esquerda) e outros candidatos a reitor(a) enfrentam protesto durante debate na FFLCH, em 2009

    Daniel Garcia

  • www.adusp.org.br/imprensa/revista-adusp Revista Adusp setembro 2017 137

    em que surge a Procuradoria Disciplinar. Tornou-se co-mum, nos PAD, os rus no terem cincia dos motivos de acusao, sendo obrigados a provar sua inocncia, o que retirava do acusador, no caso a Reitoria, o nus da prova. Tais medidas expem a concepo de justia comparti-lhada por todos os ltimos reitores da USP, que sobrepe as normas da universidade prpria Constituio.

    Como se no bastasse tudo isso, J.G. Rodas tambm

    organizou uma estrutura clandestina pa-ra espionar entidades e movimentos so-ciais atuantes na USP. O aparato ilegal de espionagem foi revelado a partir de documentos apresentados pelo deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL). Nestes relatrios, agentes externos universi-dade descrevem detalhadamente o en-volvimento de estudantes e funcionrios com atividades polticas. A espionagem era planejada pela Sala de Crise, rgo inexistente no organograma institucional da universidade e comandado por Ronal-do Pena, ento chefe da segurana, que se reportava a ningum menos que o che-fe de Gabinete, professor Alberto Carlos Amadio (vide http://bit.ly/2voOQIJ).

    Foi muito difcil o perodo da greve por cobranas da Reitoria para que a GU agisse de forma bastante policialesca em relao aos manifestantes. A Reitoria demandava uma GU que se opusesse aos manifestan