Dossi Vil©m Flusser. Revista Cultura Judaica

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Ano IV - nmero 19 - Fevereiro / Maro / Abril 2007 - ISSN 1809-9793Os Wolff: pioneirosda histriajudaica no BrasilUm Shabatinesperado noRio Grande do NorteAracy Guimares Rosa:uma vida contraa injustia Ano V - nmero 20 - Junho / Julho / Agosto 2007Vilm FlusserDossi especialO que dizem ospaulistanos sobre a Guerra do Lbano?Em Darfur ahistria se repetecomo tragdiaFbio Feldmane os caminhos doambientalismo2 Revista 18EDITORIALConselho Editorial Ernesto Strauss, Flavio Mendes Bitelman, Luis S. Krausz, Michael Pinkuss, Raul Meyer, Yael SteinerPublisher: Flavio Mendes BitelmanEditor: Luis S. KrauszDireo de arte: Iaara RosenthalDiretora de Relaes Institucionais: Ana FefferExecutivo do Centro da Cultura Judaica: Giselle TideiAdministrao: Adriane OliveiraCirculao: BrandMemberDistribuio: Door to DoorGrfica: IpsisTiragem: 10.000 exemplaresColaboraram nesta edio:Alan Meyer (fotografia), Alfredo Schechtman, Anna Vernica Mautner, Bertrand Costilhes (ilustrao), Carla Ogawa, David R. Krausz, Dov Bigio, Flvio Blasbalg, Graciela Karman (reviso), Helosa Pait, Luis Dolhnikoff, Manuel da Costa Pinto, Mrcia Zoladz, Mrcio Seligmann-Silva,Marcos Alves (fotografia), Marleine Cohen, Nahum Sirotsky (Jerusalm), Nancy Rozenchan, Olvia Lerner (ilustrao), Samuel Feldberg,Saul Kirschbaum, Susana Kampff Lages Capa: Vilm Flusser, foto: divulgao/Gustavo Bernardo KrauseImpressoempapelCouchReflexMatte95g/m2(miolo)e150g/m2 (capa) da Cia. Suzano, produzido com recursos renovveis. Cada rvore utilizada foi plantada para este fim.As matrias assinadas no necessariamente refletem a opinio da Revista 18 ou do Centro da Cultura JudaicaCentro da Cultura Judaica Casa de Cultura de IsraelRua Oscar Freire, 2500 So Paulo CEP 05409-012Telefone (11) 3065 4333E-mail: revista18@culturajudaica.org.brHorrio: de 2 a 6 feira, das 10h s 21hSbados, domingos e feriados, das 14h s 19hPara receber nossa programao, envie um e-mail para divugao@culturajudaica.org.br Permanncia de Vilm FlusserH UMA VELHA E TRGICA LENDA segundo a qual, para ser reconhecido no Brasil, um intelectual, um artista, um cientista ou qualquer pessoa que se proponha a desbravar os prprios caminhos,precisa,primeiro,serreconhecidanaEuropaou nos Estados Unidos.Seauniversalidadedestasabedoriaproverbialquestio-nvel, ela ao menos parece confirmar-se, uma vez mais, quando olhamos para a trajetria do filsofo Vilm Flusser, que veio de Praga para So Paulo, como refugiado, no incio da 2 Guerra Mundial e aqui permaneceu at completar 51 anos de idade, em 1972, quando se decidiu por um retorno Europa. Flusser hoje reconhecido no universo acadmico espe-cialmenteodelnguaalemcomoumdosmaislcidos tericosdacontemporaneidade,voltando-sesobrequestes como a lngua, a comunicao e a fenomenologia dos objetos. ComoafirmaRicardoMendes,umdosprincipaisestudiosos brasileiros de Flusser, e responsvel por um site dedicado vida e obra do filsofo, a percepo sobre a obra de Vilm Flusser radicalmente distinta na Europa e no Brasil.Sua obra completa em alemo vem sendo publicada desde 1990 e seu pensamento assunto de colquios anuais, que so realizados com regularidade, na Europa, desde o comeo dos anos 90. Pouco depois da morte de Flusser, em 1991, sua esposa, Editheseuscolaboradoresmaisprximosseempenharam na construo de um arquivo, que se tornou uma instituio alem, intitulada Vilm Flusser Archive, primeiro instalada em Colnia e, desde janeiro de 2007, em Berlim.Entre ns, sua obra s aos poucos vai conquistando o espao que merece. O recente lanamento de sua autobiografia filo-sficaBodenlos,quefoiescritaemportugusmasjexistia emversoalemhmaisdequinzeanos,maisumpasso na divulgao de uma obra que teve na vivncia brasileira do autor, bem como na experincia do exlio, uma de suas mais importantes influncias.Ao mesmo tempo, a realizao de um colquio na cidade alemdeGermersheim,noanopassado,quecontoucoma participao de vrios estudiosos brasileiros, mostra a perma-nncia e a relevncia da obra de Flusser entre ns. Convidamos, por isto, alguns conhecedores e estudiosos do seu pensamento paracomentaremeapresentarem,nodossiespecialdesta 20ediodaRevista18,umatrajetriaintelectualmarcada pelo nomadismo, pela criatividade e pela percepo aguda dos paradoxos de nosso tempo. Esperamos, assim, poder divulgar o pensamento criativo de algum que, nas palavras de Mrcio Seligmann-Silva, devorou a cultura brasileira. Luis S. KrauszRevista 18 3SUMRIOENTREVISTA5Ambientalismo e poltica,segundo FBIO FELDMAN PERISCPIO10AL-QAEDA chega a Gaza, a sepultura de um heri, populao israelenseOPINIO12Da arte de ser judeu, por ANNA VERNICA MAUTNERO REPRTER14A marcha de um GENOCDIO IGNORADO,em Darfur20Quarenta anos depois, os reflexos daGUERRA DOS SEIS DIAS24O que pensam os paulistanos sobre aGUERRA DO LBANO?28A nova msica das FESTAS JUDAICASNO CENTRO30Arte-educao e COEXISTNCIADOSSI 34Vilm Flusser viu o exlio comoFORMA DE REDENO38Um dilogo cosmopolita comHAROLDO DE CAMPOS 41BODENLOS,a autobiografia de um estrangeiroLETRAS E ARTES44Os MUNDOS IMAGINRIOSde Alice Brill 48O abandono da natureza, em novo romancede AMOS OZ51CONTOS DE BIALIK,em nova traduo do hebraico54A poltica da inconscincia no pensamento de HANNAH ARENDT58SERIEDADE JUDAICA,em quadrinhos61Clssicos russos para o pblico infantil,por TATIANA BELINKYCULINRIA62O fio da memria, numaFORNADA DE BISCOITOSHUMOR63Surdo, EU???INTERNET 65O bom e o judaico, na seleo de DOV BIGIO4 Revista 18TENHOLIDOAREVISTA18depontaa ponta.Hartigosdequegosteitantoque discuto com colegas, docentes univesitrios. Um dos artigos de que gostei imensamente, pois at me indentifiquei foi Uma biblioteca, muitos donos. Outro de que gostei muito foi sobreoescritorScholemAleichem.Mas difcil falar de um ou outro, pois todos esto muito interessantes. Parabns!Anita Simis, Departamento de Sociologia, UNESP - Araraquara, SP FOICOMGRANDESATISFAOque encontreinonmero19daRevista18a brilhante matria Caadores de passos esque-cidos,dajornalistaCludiaAltschller. Cludia soube sintetizar, de maneira clara e objetiva, o valioso trabalho desenvolvido pelos Wolff e em especial a vida de Frieda semEgon.Querotambmregistrar,em nomedoMemorialJudaicodeVassouras, o crdito que nos foi concedido.Prof. Dr. Luiz Benyosef, Presidente do Memorial Judaico de Vassouras - Rio de Janeiro, RJGOSTARIA DE RESSALTAR a qualidade e a importncia do contedo geral da Revista 18.Mnica de Souza Lopes, por e-mail ATRAVS DA PRESENTE, apresento o meu agradecimentopelagentilezadoenvioda Revista18e,nestaoportunidade,cumpri-mento-ospelocontedoepelaqualidade grficadapublicao.Aproveitooensejo para renovar a expresso de agradecimento e considerao e apreo. Iaaqob Ben Iehochafat, por e-mail RECEBI A REVISTA 18 n 19 e fiquei admi-radocomasmudanas,todaspositivas. Ainda no terminei de l-la. Ela deu um salto para melhor e eu no saberia dizer por qu, pois ainda no a confrontei com as outras. Os artigos continuam formando e informando, mas tornaram-se mais leves no estilo. Joo Valena - Salvador, BAANOTAPUBLICADAnaRevista18n19, na seo de cartas, no est correta. A infor-maocorretasegueabaixo:ofotgrafo HansGunterFliegfoioprimeiroafazer calendrioscommotivos brasileiros.Foi ele tambm o primeiro avestir o Papai Noel com roupas caractersticas ao nosso clima. Thea Joffe - So Paulo, SPCOM RELAO AO ARTIGO de Luis Dolh-nikoff, Anti-sionismo, o anti-semitismo do sculo21,publicadonaRevista18n18, seo Opinio, gostaria de observar que, de acordo com demgrafos e socilogos, Israel vai enfrentar, nos prximos anos, uma ameaa demogrfica: a populao rabe dentro das fronteirasde1967farcomque,dentrode quinzeouvinteanos,osrabessetornem amaioriadapopulaonumEstadoque pretendia ser judeu.Se levarmos em conta os dados da migrao negativa que est ocor-rendo em Israel agora, a proporo de judeus na Terra Santa tende a diminuir ainda mais.De outro lado, a maioria dos judeus do mundo julga melhor ficar onde est do que irparaIsrael.Anteestasituao,existem quatro alternativas:1.SeIsraelmantiverosistemade democraciaparlamentar,queDolhnikoff mencionanoseuartigo,serobrigadoa estenderodireitodevotopopulao rabe dos territrios ocupados. Nesse caso, os judeus se vero em minoria, e se diluir a viso do fundador do sionismo, Theodor Herzl, de um Estado Judeu.2.SeIsraelnegarodireitodevotoaos rabes nos territrios, isso constituir um apar-theid, que no ajudaria em nada o sionismo, nemdiminuiriaodioaosionismo,que Dolhnikoff afirma estar atingindo, em ondas crescentes, desde a esquerda ocidental at o fundamentalismo islmico, e ameaa tomar o lugar do anti-semitismo no sculo 21.3.SeIsraelpromoveratransferncia forada dos rabes para fora das fronteiras israelenses, isso vai causar a expanso ainda maior dos campos de refugiados palestinos foradoEstadojudeu,oqueemnadavai contribuir para melhorar sua imagem. 4.Aquartaopo,queconstadeum manifesto publicado por doze artistas pls-ticospoucosmesesdepoisdotrminoda Guerra dos Seis Dias, em setembro de 1967, atesedofimdaocupao.Nestemani-festo lia-se: Nosso direito de nos defender nonosdodireitodeesmagaroutros.A ocupao leva a um regime estrangeiro, o regime estrangeiro leva revolta, a revolta levaaoesmagamentodopovorevoltado, o esmagamento leva ao terror, que leva ao contraterror.Asvtimasdoterrorsoem geral pessoas inocentes. A manuteno dos territrios ocupados nos torna um povo de assassinosaseremassassinados.Vamos deixar os territrios imediatamente!Na euforia que tomou conta de Israel com a vitria da guerra de 1967, este anncio foi ignorado. Hoje, porm, um em cada trs lares israelenses tem emoldurado este manifesto, como um cone. Israel j teve dias gloriosos, em que o mundo inteiro o estava abraando em 1948 e em 1967. Desde a ocupao, a rodadahistriagirou.DavidGrossman, um dos mais famosos escritores israelenses, que perdeu um filho no ltimo dia da nova guerra no Lbano, disse que h um vazio na lideranaecitouoprofetaNeemias:No existe mais rei em Israel e os destruidores do pas esto saindo dentre vocs mesmos.HannahArendtafirmou:Ossionistas sefechamemsimesmos,mergulhados permanentemente na sua defesa fsica, o que enevoa todas as suas aspi