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INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAO

DEPARTAMENTO DE HISTRIA E FILOSOFIA

JOSE EDUARDO RIBEIRO VAZ

A PROBLEMTICA DA CINCIA EM KARL POPPER E THOMAS

KUHN

LICENCIATURA EM FILOSOFIA

ISE, 2006

2

INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAO

DEPARTAMENTO DE HISTRIA E FILOSOFIA

JOS EDUARDO RIBEIRO VAZ

TEMA: A PROBLEMTICA DA CINCIA EM KARL POPPER E THOMAS

KUHN

Trabalho Cientfico apresentado ao Instituto Superior de Educao para Obteno do grau

de Licenciatura em Ensino de Filosofia, sob orientao da Dra. Irene Cruz

ISE, 2OO6

3

JOS EDUARDO RIBEIRO VAZ

Trabalho cientfico apresentado ao ISE aprovado pelos membros do jri e homologado pelo

Conselho Cientfico, como requisito parcial obteno do grau de Licenciatura em Ensino

de Filosofia.

O jri;

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

Praia, 29 de Setembro de 2006.

4

Dedicatria

Dedico este trabalho minha me, e memria do meu pai, que sempre souberam me

ajudar nas horas difceis e tambm a todos os meus professores e colegas que tm sido a

grande razo e incentivo para o meu desenvolvimento intelectual e pessoal.

5

Agradecimentos

impossvel a realizao de um trabalho cientfico sem apoio de outros. Por isso, na

impossibilidade de retribuir a todos pessoalmente, queremos deixar expresso aqui os nossos

sinceros agradecimentos.

minha orientadora, Dra. Irene Cruz, pelas suas orientaes e pela sua amabilidade e

pacincia na forma como leu, criticou e deu sugestes para a melhoria deste trabalho, sem

os quais esta tarefa teria sido mais rdua e demorada, a minha gratido.

Ao Professor Aristides Abreu Amado, pela sua colaborao, a minha gratido.

Um agradecimento ao meu irmo Antnio Costa pela sua amabilidade e a boa vontade

que teve em enviar-me os documentos atravs da Internet para a correco Dra. Irene

Cruz, um obrigado.

Agradeo tambm, de um modo muito especial, ao meu orientador de estgio

pedaggico Dr. Marcos Costa, pela sua colaborao na discusso deste trabalho, o meu

obrigado.

Iolanda Conceio, que digitalizou o trabalho, pela sua pacincia e dedicao, o meu

obrigado.

Agradeo tambm, de um modo geral, a todos aqueles que, directa ou indirectamente

colaboraram na execuo deste trabalho.

6

ndice

Introduo. p6

Contextualizao p6

Capitulo I

Sobre a induo.p11

Definio da induop11

Critica de Popper induo.p12

A defesa da induo.p15

Soluo para o problema da induop15

Critica de Popper aos positivistas sobre a questo da metafsica.p20

Contrastao da teoria e sua definio.p24

A falsificabilidade como critrio de demarcao... p25

A falsificabilidade como mtodo. p27

A corroborao dos enunciados... p31

A corroborao dos enunciados no definitiva... p32

Quando aceitar uma teoria como sendo cientfica segundo Popper. p33

Capitulo II

A concepo da cincia p35

Alguns conceitos bsicos..p35

A emergncia paradigmtica.p36

O conceito da cincia normal na perspectiva Kuhniana .p37

Crise paradigmtica...p41

As implicaes do novo paradigma vantagens e desvantagensp42

Teorias em crise abandonam-se ou no?......................................................................p44

7

Soluo para crise .p47

A revoluo cientifica e o desenvolvimento acumulativo .p49

A relao entre a politica e o paradigma na perspectivar Kuhniana p50

Necessidade da revoluo cientfica.p53

Os manuais e a invisibilidade das revolues cientficas.p56

Capitulo III

O confronto entre as duas perspectivas .p60

O progresso cientfico p60

O progresso a nvel da cincia normal..p61

Crise versos progresso..p61

O paradigma e o progresso da cincia..p64

O progresso cientfico segundo Popperp66

Aspectos importantes que levam ao progresso cientfico segundo Popperp66

As hipteses e a lei da seleco natural das espciesp67

Progresso por tentativa e erro... p69

O progresso na perspectiva de outros autores...p69

Concluso.p71

Bibliografia...p75

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1. Introduo

1.1 Contextualizao

O tema que pretendemos investigar A problemtica da Cincia em Karl Popper e

Thomas Kuhn no algo novo que se pretende colocar em questo, antes pelo contrrio, j

foi abordado durante sculos por vrios filsofos, desde a poca clssica que foi marcada

por Plato e seus discpulos passando por outros grandes perodos da histria da

humanidade.

A Epistemologia ou Filosofia da Cincia uma disciplina relativamente nova teve o

seu apogeu no sculo XIX, mas isso no significa que antes de tal perodo j no se

encontrassem antecipaes da actual problemtica da Epistemologia. Vrios foram os

momentos filosficos que ao longo da histria da Filosofia tiveram, em primeira instncia, a

preocupao para com os problemas da Epistemologia embora no a tivessem nomeado

dessa forma, o caso da questo platnica da distino entre a episteme e a doxa, da

doutrina aristotlica da cincia, da teoria do mtodo elaborada entre os sculos XVI e XVII

por autores como Bacon, Galileu, e Descartes, da disputa metodolgica que acompanhou o

nascimento e o desenvolvimento da cincia moderna e por fim da prpria doutrina de Kant

sobre os limites da cincia.

Kant por exemplo, questionou desde muito cedo a possibilidade da metafsica como

cincia, contudo no o podemos considerar como um epistemlogo, uma vez que elaborou

uma anlise muito superficial sobre a cincia fechando-a, no deixando margens para a

crtica e separando-a da metafsica.

Portanto, a Epistemologia actual no deve ignorar os ensinamentos dos antigos

filsofos, visto que pode encontrar muitos problemas que tinham atormentado os antigos e

que hoje servem Epistemologia moderna. Assim, no se pode dizer que antes no existia

uma epistemologia filosfica, mas uma epistemologia que estaria ultrapassada na

actualidade, e hoje se aposta numa epistemologia cientfica que seria a nica verdadeira e

sria.

Na presente pesquisa, confrontamos os dois epistemlogos (Kuhn e Popper) de modo a

analisar a viso de ambos no que respeita ao progresso da cincia, neste sentido, a passos

largos vamos fazer uma pequena sntese sobre a epistemologia popperiana, onde

destacaremos os conceitos chaves utilizados por este autor a fim de mostrar como que a

cincia se progride. Mas antes, julgamos ser de grande importncia contextualizar o

9

pensamento popperiano antes de realar as ideias chaves do seu pensamento.

Karl Popper foi considerado um dos maiores filsofos da cincia deste sculo; foi filsofo

social, poltico, crtico, racionalista e tambm contra todas as formas de cepticismo

convencionalismo e relativismo em cincia. Defensor da sociedade aberta e um critico

implacvel do totalitarismo em todas as suas formas, foi um filsofo muito fluente no seu

pensamento e deixou grandes marcas na Epistemologia moderna, onde at hoje cientistas

modernos esto atentos no trabalho dele, uma vez que escreveu no s no campo da

epistemologia mas tambm em assuntos tcnicos com claridade consumada.

O que tem chamado ateno, maioria da comunidade cientfica no que se refere ao

seu trabalho filosfico o mtodo que ele utilizou como unidade fundamental da sua

filosofia. Foi altamente contra o pensamento dogmtico e subjectivo, defendeu que qualquer

pensamento deve ser objectivo e transmitido com clareza de modo que possa ser

compreendido por qualquer um. Teve alguma influncia da doutrina de Marx, Fresnel e de

Adler e aps ter escutado a doutrina de Einstein sobre a teoria da relatividade com o

domnio do esprito crtico abandonou as duas doutrinas anteriores que lhe parecia

desprovido de esprito crtico, tendo em conta que a crtica era para ele algo de grande

importncia, deste modo teve de abraar a doutrina de Einstein, uma vez que as teorias de

Marx, Adler, Fresnel, e de Freud apenas confirmavam o que se passou na realidade,

enquanto que a teoria de Einstein teve mais implicaes, uma vez que foi testada e no caso

de ser falsa a prpria teoria seria derrubada.

Portanto em 1928 surgiu um grupo de filsofos denominados de Circulo de Viena e

deste circulo fazia parte Rudolf Carnap, Otto Newrath, Viktor Karaft, Hans Hahn, e Herbert

Feige cujo principal objectivo seria unificar as cincias e eliminar a metafsica de uma vez

para sempre e demonstrando que a metafsica era um sem sentido. neste contexto que

nasceu o positivismo lgico que se baseava no princpio de verificao, esta teoria foi muito

contestada e criticada por se basear meramente na verificao cientfica.

Em 1934 Popper escreveu uma obra intitulada A Lgica da Investigao Cientifica

que veio contribuir largamente para a morte do positivismo lgico. A partir dessa altura ele

passou a dedicar-se inteiramente cincia e Filosofia da Cincia, deste modo, a sua

reputao enquanto filo