Corredores verdes

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    07-Jul-2015
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  • 1. CORREDORES VERDES COMO LUGARES URBANOS: UMAANLISE URBANO - PAISAGSTICA PARA A AV. LEITODA SILVA (VITRIA-ES) (202)Rosa Casati Ramaldes(1), Fabiano Vieira Dias(2) e Cristina Engel de Alvarez(3)(1) Prof. no Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UNIVIX Faculdade Brasileira,Brasil. E-mail: rosa@a-verde.com.br(2) Prof. no Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAACZ Faculdade de Aracruz, e mestrandono Programa de Ps Graduao em Arquitetura e Urbanismo da UFES Universidade Federaldo Esprito Santo, Brasil. E-mail: fabiano@urbearquitetonica.com.br(3) Prof no Programa de Ps Graduao em Arquitetura e Urbanismo da UFES UniversidadeFederal do Esprito, Brasil. E-mail: cristinaengel@pq.cnpq.brResumo: Para a compreenso da dinmica urbana da cidade de Vitria (ES) torna-senecessrio entender seu processo de ocupao, desde o denominado Projeto do NovoArrabalde dos fins do sculo XIX at a atualidade, sendo nesta pesquisa enfatizadosalguns aspectos inerentes Avenida Leito da Silva, foco deste estudo. O principalobjetivo da pesquisa foi avaliar a interferncia da vegetao na Av. Leito da Silva ereas do entorno sobre a ambincia urbana, baseada no conceito de corredores verdes oucaminhos verdes, bem como testar a possibilidade de interveno urbano-paisagstica aolongo da avenida. A metodologia adotada partiu de medies da temperatura e umidaderelativa do ar em dois pontos selecionados por suas caractersticas distintas em relaoao microclima desta via. Foram realizadas medies a cada 01 (uma) hora durante 08(oito) horas ininterruptas de um dia na primavera. Os locais das medies foramescolhidos considerando as diferenas de ambincia, relativas s condies desombreamento por vegetao, permeabilidade do solo e ocupao urbana do entorno. Osresultados obtidos demonstram diferenas entre os pontos analisados. A interfernciada vegetao no conforto dos usurios e transeuntes foi base das intervenes urbano-paisagsticaspropostas para esta via.Palavras-chave: Ambincia, Corredores Verdes, Microclima, Novo Arrabalde,Transeunte.Abstract: To understand the urban dynamics of the city of Vitoria (ES) its necessary tounderstand its occupation process, since the project called Novo Arrabalde, from thelate nineteenth century, until nowadays, and this research emphasized some aspectsrelated to Leito da Silva Avenue, focus of this study. The main objective wasevaluating the interference of vegetation along Leito da Silva Avenue and thesurrounding areas on urban environment, based on the concept of green corridors orgreen ways, as well as testing the possibility of urban and landscaping interventionalong the avenue. The adopted methodology started from measurements of temperatureand air relative humidity in two points selected for their different characteristics inrelation to the microclimate of this avenue. Measurements were performed every onehour during eight uninterrupted hours of one day in the spring. The locations for themeasurements were selected considering the differences of ambience, related toconditions of shading by vegetation, ground permeability and urban occupation in thesurroundings. The results demonstrate differences between the analyzed points. Theinterference of vegetation on the comfort of users and pedestrians was the source ofurban-landscape interventions proposed for this avenue.

2. Keywords: Ambience, Green Corridors, Microclimate, Novo Arrabalde, User.1. INTRODUOEm 1896, o ento Presidente do Estado do Esprito Santo, o Sr. Muniz Freire, emdiscurso sobre o projeto do Novo Arrabalde de autoria do Engenheiro SanitaristaFrancisco Saturnino Rodrigues de Brito, j vislumbrava com este projeto do novo bairroda capital capixaba, uma cidade como o grande nervo de distribuio orgnica doEstado, e que assumiria duas funes distintas de cidade populosa e cidadecomercial (Presidente, Muniz Freire, 1896: 35 apud CAMPOS JUNIOR, 1996:148).Vitria teve o caminho natural de uma cidade porturia baseada nas exportaes decaf, mas este primeiro projeto foi o desafio trabalhado com esta nova ampliao dotecido urbano da capital capixaba. Para tanto, os exemplos mundiais de urbanizaes degrandes capitais deveriam ser seguidos de forma a enquadrar a cidade como emblemade desenvolvimento econmico. Em seu discurso, Muniz Freire expe a retrica quemarcou este projeto:O argumento mais imediato em favor da necessidade dos grandes centros fornecido pela lio de todos os tempos e de todos os povos. No hpas no mundo, de importncia poltica ou comercial, que no tenha assuas grandes praas, e quanto mais notveis so estas mais elevadas acategoria da nao; as primeiras naes do globo so a Frana, aInglaterra, os Estados Unidos e a Alemanha, que possuem cidades comoParis, Londres, Nova York, alm de tantas outras que figuram emprimeira linha aps estas (Esprito Santo. Presidente, Muniz Freire,1896: 35 apud CAMPOS JUNIOR, 1996:148).Como capital do Estado do Esprito Santo, Vitria, ao longo do sculo XX cresceusobre as reas remanescentes de seu territrio original, formado por ilhas e sucessivosprocessos de aterros, alm de avanar sobre sua parte continental nas ltimas trsdcadas do sculo passado. Este crescimento feito a passos largos em sucessivas gestesestaduais foi promovido pela prpria importncia da cidade como capital e centrocomercial e financeiro do estado. Teve seu foco pautado no avano econmico dacidade de forma a igual-la com as outras capitais brasileiras, transformando-a noespao da burguesia ascendente (MONTEIRO, 2008).O crescimento urbano acelerado de vrias cidades brasileiras neste ltimo sculo trouxea reboque, consequncias que no eram pautadas em seus projetos de expanso urbana,como no caso do Novo Arrabalde da cidade de Vitria. A supresso de vegetao nativasem planejamento ou sequer a preocupao com sua manuteno; a ocupao de reasnaturais seja de forma ordenada pelos planos ou de forma espontnea pelas massaspopulacionais que ocuparam irregularmente as reas urbanas que eram consideradassem valor comercial como morros, mangues, beiras de rios e crregos; e posteriormente,o surgimento dos carros e toda a infra-estrutura viria montada em prol dos mesmos,criaram em vrias cidades brasileiras (e no diferente seria Vitria) as condiesnecessrias para o aumento do calor, da impermeabilizao do solo e problemas desade populacional e urbana. Como explica Mascar e Mascar (2002, p. 11),Nossas cidades tm crescido com peculiaridades prprias, mas osconflitos se repetem: deteriorao de sua periferia, estabelecimento deindstrias de forma dispersa ou concentrada, mas sem estar encaixadano ambiente, congesto, segregao, falta de participao. A paisagem 3. sofreu profundamente essa deteriorao e precisa ser tratada com especialsensibilidade. Ela necessita ser a protagonista novamente, sendofundamental o papel que a vegetao desempenha nessa recuperao.Surgindo como uma das solues para os males urbanos dos dias atuais, os corredoresverdes ou caminhos verdes so espaos abertos lineares que desempenham diversasfunes ecolgicas, como a conexo entre fragmentos de vegetao, a proteo decorpos hdricos, a conservao da biodiversidade, a possibilidade de manejar as guasde chuvas, alm de promover mltiplos usos pela populao, como recreao, transportee promover a coeso social (FRIESCHENBRUDER e PELLEGRINO, 2006).No projeto do Novo Arrabalde de Saturnino de Brito, a Avenida Leito da Silva,originalmente nomeada como Norte-Sul estava localizada entre vales de morros de umaregio ainda no ocupada da Ilha de Vitria e, alm de ser uma ligao entre o tecidoantigo da Ilha e seu Novo Arrabalde, tinha em seu eixo virio tambm a funo decaptador das guas pluviais, como proposto no prprio projeto deste novo bairro dacapital (CAMPOS JUNIOR, 1996).A configurao geomtrica da malha cartesiana imposta por Brito, circundou as reasnaturais de morros e afloramentos rochosos vegetados, isolando-os como monumentosnaturais em meio a malha urbana, deixando-os s margens dos dois eixos viriosprincipais do projeto (a Av. da Penha, atual Nossa Senhora da Penha, e a Av. Norte-Sul,atual Leito da Silva) de forma que os mesmos fazem parte de uma paisagemconstruda, mas fragmentada (Figura 1).Figura 1 Planta do Anteprojeto do Novo Arrabalde (drenagem) com marcao da Av. Leito da Silva.Fonte da imagem: BRITO, 1996.Em sua morfologia atual, a Avenida Leito da Silva apresenta trechos com umaambientao que no induz a permanncia ou a circulao de pedestres, caracterizando-amais como um espao de passagem de veculos e cargas. O antigo canal de drenagemfoi transformado em valo pelo despejo de dcadas dos esgotos circunvizinhos egrandes extenses de seu canteiro central possuem pisos impermeveis. Observa-se,ainda, que agravando o aspecto pouco convidativo do lugar, a Avenida possui poucasreas de travessia para locomoo do morador local ou do pedestre. 4. 2. OBJETIVO E METODOLOGIAO objetivo principal desta pesquisa foi avaliar a interferncia da vegetao na ambinciaurbana para a criao de microclimas e, a partir dos resultados obtidos avaliar apossibilidade de interveno urbano-paisagstica ao longo da Av. Leito da Silva,visando criao de uma nova ambincia baseada no conceito de corredores verdes oucaminhos verdes (FRIESCHENBRUDER e PELLEGRINO, 2006). Por sua vez, asintervenes buscam proporcionar extenso da via de quase 3 km, espaos agradveis,sombreados, arborizados e humanizados que contraponham os impactos provocadospela urbanizao sobre os parmetros climticos.A Avenida Leito da Silva alm de ser uma das ligaes da RMGV (RegioMetropolitana da Grande Vitria), conecta a regio norte de Vitria com a ilhapropriamente dita. Grande parte da avenida possui um comrcio de varejo que demandacirculao de cargas e, por conseqncia, uma maior utilizao de veculos automotivos.Entretanto, poucos transeuntes caminham pelas caladas irregulares de variados nveis elarguras.Objetiva-se com a pesquisa no somente avaliar a possibilidade de implementao dopaisagismo da via visando a melhoria do microclima mas, tambm, verificar aexequibilidade de planejamento de corredores-ecolgicos-urbanos como mei