Catálogo de Literatura Portuguesa - .Os Lusíadas em quadrinhos 17 ... de Castro Osório, a partir

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  • Catlogo de Literatura Portuguesa

  • 06 Apresentao | Sabor e saberConhecer/Reconhecer 9

    Formas da cultura popular e clssicos da literatura portuguesa 10

    Escritores e ilustradores contemporneos 11

    Editores, professores, escritores, artistas 11

    14 TtulosConvite navegao uma conversa sobre literatura portuguesa 14

    Cantigas de amigo do galego-portugus 15

    Auto da barca do inferno em quadrinhos 16

    Os Lusadas em quadrinhos 17

    Versos de amor e morte 18

    Antologia de poemas portugueses para a juventude 19

    Dez contos do alm-mar 20

    Branca-Flor e outros contos 21

    Florbela Espanca Antologia de poemas para a juventude 22

    Fernando Pessoa em quadrinhos 23

    Dentes de rato 24

    Vento, areia e amoras bravas 25

    Os animais fantsticos 26

    Av, conta outra vez 27

    Versos para os pais lerem aos filhos em noites de luar 28

    O livro extravagante 29

    O amor de Pedro e Ins 30

    Brincar com as palavras 31

    O co e o gato 32

    No quero usar culos 33

    Trocoscpio 34

    O mundo num segundo 35

    Obrigado a todos! 36

    Enquanto o meu cabelo crescia 37

    A instrumentalina 38

    Meia hora para mudar a minha vida 39

    A contradio humana 40

    Eu s s eu 41

    42 Autores e adaptadores

  • 46 Ilustradores

    48 Organizadores, compiladores, prefaciadores

    52 Fazendo prefcios e posfcios falarem | Pensando algumas questes apartir do nosso acervo de literatura portuguesaA lngua-me 54

    A lngua-me e a literatura 56

    O melhor da literatura portuguesa e os clssicos 57

    Alguns dos nossos clssicos e suas leituras vistas pelos artistas que

    publicam pela Peirpolis 58

    Por uma educao visual 59

    60 ndice [por ordem alfabtica]

  • 6 Apresentao

  • 7Sabor e saber

    Somos brasileiros. A lngua portuguesa est conosco

    todas as horas do dia e da noite: sonhamos em por-

    tugus, pensamos em portugus, falamos portugus.

    Lemos em portugus, escrevemos em portugus, ex-

    pressamos nossos sentimentos em portugus. Com a

    lngua portuguesa tecemos o nosso dia a dia.

    Alguns dentre ns tm crianas em casa e po-

    dem observar seu crescimento, a aquisio e o

    domnio da linguagem, o modo de se apoderar do

    mundo pelo aprendizado da palavra, num momento

    da vida em que o saber e o sabor esto muito prxi-

    mos: o sabor do chocolate bem prximo daquele

    de nomear o chocolate (at para poder pedi-lo, en-

    tre deliciosas risadas!). Com a plena aquisio da

    linguagem e o crescimento, as crianas que temos

    (ou que fomos um dia) saem para descobrir o mun-

    do, prontas para explorar suas possibilidades, de-

    senvolver suas capacidades, experimentar...

    Aprendemos a ler e a escrever e, a partir da, o

    mundo cresce, toma propores incomensurveis

    palavra saborosa em sua vocao de falar sobre

    a desmedida, sobre a impossibilidade de medir

    aonde cada um de ns pode chegar. s histrias,

    canes e poemas que ouvamos daqueles que

    estavam nossa volta contadas, cantadas, lidas

    se agregam as histrias que passamos a contar

    para ns mesmos a partir dos livros, os poemas que

    podemos ler e dizer em voz alta: a nossa voz que

    se ala, afirma e define. Saber e sabor continuam

    caminhando juntos, agora embalados pela escrita,

    pela ilustrao, emoldurados no objeto-livro.

    Muitas vezes, no entanto, nas histrias de mui-

    tos de ns, chega um dia em que as coisas mudam.

    Tarefas, obrigaes, horrios, o sistema escolar...

    A vida, enfim, nos toma e nos conduz por outros

    caminhos. Em alguns desses caminhos, saber e

    sabor se dissociam: o sabor evapora, o saber fica

    rido e se converte em mais uma obrigao. E, se

    o caso for esse, por que parar para pensar em lite-

    ratura portuguesa?

    Ao longo dos anos, a Editora Peirpolis vem cons-

    truindo um Catlogo de literatura portuguesa com

    muito entusiasmo. Saber e sabor esto juntos em

    nosso trabalho como esto juntos na lngua portu-

    guesa! Ainda hoje no portugus falado e escrito em

    Portugal, saber e sabor esto juntos: um chocolate

    quente no inverno sabe bem, uma salada fres-

    quinha no vero sabe melhor. E, se por um lado,

    nossos livros trazem muitas descobertas culturais e

    lingusticas, por outro, nos permitem lembrar ou nos

    dar conta de similaridades insuspeitadas.

  • 9

    Valha-me Nossa Senhora,

    Me de Deus de Nazar!

    A vaca mansa d leite,

    a braba d quando quer.

    A mansa d sossegada,

    a braba levanta o p.

    J fui barco, fui navio,

    mas hoje sou escaler.

    J fui menino, fui homem,

    s me falta ser mulher.

    (Versos pronunciados por Joo Grilo, personagem de

    Ariano Suassuna em Auto da Compadecida)

    Os versos pronunciados por Joo Grilo ao invocar

    Nossa Senhora em Auto da Compadecida, de Ariano

    Suassuna, fazem parte da nossa memria afetiva,

    especialmente a partir das adaptaes televisiva

    e cinematogrfica da obra, em que Joo Grilo e a

    Compadecida ganharam os rostos e as vozes in-

    confundveis de Matheus Nachtergaele e Fernanda

    Montenegro. Os versinhos reproduzidos acima for-

    temente presentes em muitas canes, histrias da

    cultura popular brasileira, disseminados pela ora-

    lidade tm ligao direta com a cultura popular

    ibrica (da Pennsula Ibrica, onde esto Portugal

    e Espanha). A forma em que esto compostos os

    versos, em redondilhas, reflete no apenas grande

    parte do modo de composio dos cantadores po-

    pulares do nordeste brasileiro ainda hoje como nos

    leva diretamente ao incio do sculo XVI, quando um

    dramaturgo de origem humilde comeava sua car-

    reira junto Corte Portuguesa: Gil Vicente. Ariano

    Suassuna tem influncia confessa de Gil Vicente, o

    que com frequncia reconhece em suas apresen-

    taes pblicas. Conhecer literatura portuguesa ,

    assim, muitas vezes reconhecer algo bem prxi-

    mo de ns. Gil Vicente est representado na nossa

    coleo pela obra Auto da barca do inferno, bem

    familiar do pblico brasileiro por compor h vrios

    anos o repertrio escolhido para estudo nos exa-

    mes de acesso ao Ensino Superior (vestibulares). A

    escolha da Peirpolis para a apresentao da obra

    pensou na renovao, o que se traduziu na busca

    de uma linguagem visual arrojada e atraente, que

    pudesse mostrar ao pblico jovem a dimenso re-

    volucionria do trabalho de Gil Vicente. O resulta-

    do um Auto da barca do inferno em histria em

    quadrinhos, elaborado de maneira a manter a lin-

    guagem de poca (fixada na Compilao de 1562,

    trabalho dos filhos de Gil Vicente), ao mesmo tempo

    em que aposta na leitura artstica contempornea e

    instigante de Laudo Ferreira. Em todos os ttulos do

    Catlogo de literatura portuguesa da Peirpolis se

    evidencia uma coleo pensada para enlaar Brasil

    e Portugal visualmente atraente, com ilustraes

    e trabalho grfico primorosos , permitindo conhe-

    cer e reconhecer a cultura, a lngua e a literatura

    portuguesas.

    Conhecer/Reconhecer

  • 10

    Voltando s formas da cultura popular brasilei-

    ra, nossa coleo permite conhecer contos popu-

    lares e contos de fadas portugueses: o bicho de

    sete cabeas, Branca-Flor, a menina que se torna

    prisioneira do diabo e o pescador que se defronta

    com um peixe mgico povoam as pginas de ttu-

    los como Dez contos do alm-mar e Branca-Flor e

    outros contos. O trabalho de coleta e compilao

    dos portugueses Adolfo Coelho, Tefilo Braga e Ana

    de Castro Osrio, a partir do final do sculo XIX,

    complementado, nestes dois ttulos essenciais, pelo

    trabalho dos organizadores e apresentadores brasi-

    leiros Ana Carolina Carvalho e Bartolomeu Campos

    de Queirs. Podemos perceber a particularidade

    dos contos portugueses e tambm reconhecer as

    marcas dessas narrativas em muitas histrias que

    ouvimos contar do lado de c do Atlntico.

    O outro lado das chamadas formas simples,

    emanadas da cultura popular, est nos clssicos

    de matriz erudita. A comear por Os Lusadas o

    grande poema pico de Lus de Cames , o reper-

    trio de livros da Peirpolis avana por sculos

    de narrativas para alcanar as aventuras da meni-

    na Lourena, personagem da premiada escritora

    Agustina Bessa-Lus em Dentes de rato e Vento,

    areia e amoras bravas e, por fim, a famlia portugue-

    sa do intrigante conto A instrumentalina, da grande

    escritora contempornea Ldia Jorge. Em mais de

    uma dezena de ttulos, os leitores podem criar la-

    os significativos com textos clssicos da literatura

    portuguesa, expressos narrativamente dentro do

    gnero pico.

    E por falar em clssico, lembramos o terico e es-

    critor italiano talo Calvino (1923-1985), que disse

    que um clssico um texto que no acabou de dizer

    o que tinha para dizer, e completamos: a maneira

    mais simples para ns, brasileiros, termos acesso

    aos clssicos, lendo em lngua portuguesa, a nos-

    sa lngua, o legado de centenas de geraes. Dentro

    do repertrio de leituras clssicas, agora no gnero

    lrico, das Cantigas de amor e amigo dos trovadores

    portugueses, apresentadas por Elisabete Peiruque

    e Susana Ventura, aos Versos de amor e morte de

    Lus de Cames, belamente apresentados por Nelly

    Novaes Coelho; dos pungentes poemas de amor de

    Florbela Espanca coligidos por Denyse Canturia

    Ant