Apresentação do...

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    22-Jul-2020
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    • Valter Hugo Lemos: Valter Hugo Mãe é nome artístico

    • 25-09-1971, Angola (ainda colônia portuguesa)

    • Ob. Angola conquista sua independência em 11-11-1975

    • Escritor, editor, artista plástico, cantor e apresentador de TV

    • Formado em Direito

    • Pós-graduado em Literatura Portuguesa Contemporânea

    • Transita por entre os gêneros: poesia, conto, romance, literatura

    infantil e canção

     Estética:

    • Linguagem modernista: antissintaxe

    • Ironia corrosiva e seca

    • Perspectiva crítica histórica: anacrônica e sincrônica

    • Quase português, quase angolano: cisão do homem

    contemporâneo e cosmopolita – crise de pertencimento

    • Sentimento lusitano

    • Prêmio Almeida Garrett, 1999; Prêmio Literário José Saramago,

    2007; Grande Prêmio Portugal Telecom de Literatura Melhor

    Romance do Ano, 2012.

  • Obra.

    Poesia

    Silencioso corpo de fuga, 1996.

    O sol pôs-se calmo sem me acordar, 1997.

    Entorno a casa sobre a cabeça, 1999.

    Egon schielle auto-retrato de dupla encarnação, 1999.

    Estou escondido na cor amarga do fim da tarde, 2000.

    Três minutos antes de a maré encher, 2000.

    A cobrição das filhas, 2001.

    Útero, 2003.

    O resto da minha alegria seguido de a remoção das

    almas, 2003.

    Livro de maldições, 2006.

    Pornografia erudita, 2007.

    Bruno, 2007.

    Folclore íntimo, 2008.

    Contabilidade, 2010.

    Publicação da mortalidade, 2018

    Romance

    O nosso reino, 2004

    O remorso de baltazar serapião, 2006.

    O apocalipse dos trabalhadores, 2008

    a máquina de fazer espanhóis, 2010

    O Filho de Mil Homens, 2011

    A Desumanização, 2013

    Homens Imprudentemente Poéticos, 2016

    Contos

    Contos de Cães e Maus Lobos, 2015

    Infantil

    A Verdadeira História dos Pássaros, 2009

    A História do Homem Calado, 2009.

    As mais belas coisas do mundo, 2010

    Quatro Tesouros, 2011

    O Paraíso são os Outros, 2014

  • Canção

    Disco de Cabeceira, Paulo Praça, Som Livre, Oeiras, 2007 (letrista);

    A Geração da Matilha, Mundo Cão, Cobra, Braga, 2009 (letrista);

    Propaganda Sentimental, Governo, Optimus, Lisboa, 2009 (letrista e intérprete);

    Mirror People, Rui Maia, Optimus, Lisboa, 2009 (letrista e intérprete);

    Animal, Osso Vaidoso, Optimus, Lisboa, 2012 (letrista);

    O Jogo do Mundo, Mundo Cão, Cobra Discos, Braga, 2013 (letrista).

    Desligado, Mundo Cão, Sony Music, Lisboa, 2018 (letrista).

    Ilustrações: Eduardo Berliner

  • MÃE, Valter Hugo. a máquina de

    fazer espanhóis. São Paulo:

    Biblioteca Azul, 2016.

    Capítulo por capítulo

    - Análise da obra -

  • • Publicada em 2011, pela COSACNAIFY • As ilustrações compõem a obra: sonhos do narrador antónio

    silva • Projeto modernista de narrativa: antissintaxe – verbarrogia;

    letras minúsculas, sem pontuações de interrogação, exclamação

    • As referências e epígrafes: Tabacaria, poema do heterônimo Álvaro de Campos, de Fernando Pessoa e ao heterônimo Alberto Caeiro, Há metafísica bastante me não pensar em nada  como ser ou desejar ser alguma coisa com tamanha

    opressão (salazarismo) • Narrativa em primeira pessoa: antónio jorge silva,

    personagem-narrador, 84 anos • Estruturada em vinte e dois capítulos: fragmentação da

    sociedade e da memória • Prefácio de Caetano Veloso: fábula de amor sincero e de

    melancolia histórica  A verdade sobre a grandeza e responsabilidade de

    Portugal e do Brasil respectivamente – algo que nunca aconteceu (p.17)

    • Catarina, criança de 5 anos: o sonho e a esperança sequestrados, torturados até mesmo de uma criança

    [...] faz o leitor brasileiro mergulhar na dimensão portuguesa de sua vida, reencontrar origens de tantas das suas fraquezas em face de um grande sonho – e de tantos enternecimentos em face de sinceras modéstias. Faz o leitor brasileiro enriquecer suas perguntas quanto à capacidade de grandeza, à realidade de suas responsabilidades. O romance é um romance que se escolhe pequenino, como o Portugal pequenino do Jacinto de Thormes, que não se esquece dos pequeninos, para expressar valter hugo mãe a grandeza dos temas da vida e da morte, do amor, do destino histórico de um povo. O Portugal oprimido sob a ditadura de Salazar e o Portugal sob a batuta de austeridade da União Europeia são flagrados nos momentos finais de vidas comuns, mas o homem comum da Tabacaria de Álvaro de Campos, o Esteves sem metafísica, está ali entre eles – e sobrecarregado de metafísica. A grande poesia, que reflete as insuperáveis questões da existência (mas também a singularidade portuguesa do estar no mundo), empresta seu personagem à narrativa sobre velhos que o escritor moço inspirou-se em produzir. (p.17)

    Prefácio de Caetano Veloso.

  • Não sou nada.

    Nunca serei nada.

    Não posso querer ser nada.

    À parte isso, tenho em mim todos os

    sonhos do mundo.

    Álvaro de Campos, Tabacaria.

    Portugal: passado e presente

    Passado glorioso Presente decadente

    Não há como ser grande convivendo com a opressão (salazarismo)

    Há metafísica bastante em não pensar em nada.

    O que penso eu do mundo?

    Sei lá o que penso do mundo!

    Se eu adoecesse pensaria nisso.

    Alberto Caeiro, Há metafísica bastante

    A ditadura oprimi a liberdade e os sentidos do existir

    Muitos optaram por não enfrentar a opressão de Salazar para poder sobreviver

    O sonho de Portugal voltar a ser grande, europeu

    A sociedade pensava que Salazar e o fascismo realizariam este sonho

    Mamã, quando eu for grande, quero

    Trabalhar, viver sozinha e ser

    Mãe solteira de um povo.

    Catarina, cinco anos.

  • capítulo um

    o fascismo dos bons homens

    • A perspectiva do ser após a 3ª idade (p.25)

    • O que são as ideias em tempos de repressão/limitação (p.25)

    • A liberdade é nada: governo opressor – portugueses querem ser europeus

    • O narrador: antónio jorge da silva, 84 anos • Diálogo entre cristiano mendes da silva e

    antónio: consciência e crítica à opressão (p.27) – ironia sobra a educação alienada portuguesa (formação)

    • A fala do médico é uma crítica à burocracia (p.29-30)

    • É preciso lidar de forma objetiva com a morte

    • A morte de laura (esposa de antónio): este será o grande trauma de antónio (p.33-34)

    • A necessidade do português sentir-se bom homem, mesmo após a ditadura ou da terceira idade

    somos bons homens. não digo que sejamos assim uns tolos, sem a robustez necessária, uma certa resistência para as dificuldades, nada disso, somos genuinamente bons homens e ainda conservamos uma ingénua vontade de como tal sermos vistos, honestos e trabalhadores. (p.25)

    • As ideias não importam em tempos de repressão

    [...] as ideias, meu amigo, são menores nos nossos dias. não importam. as liberdades também fazem isso, uma não importância do que se pensa, porque parece que já nem é preciso pensar. sabe, é como não termos sequer de pensar na liberdade. (p.25)

  • • Crítica à educação alienada da sociedade portuguesa • Ser bom homem é obedecer sem questionar

    [...] depois não resisti a acrescentar, olhe que somos gente educada. e ele quase me repreendeu, mas a educação tem sido apertada neste país, à paulada, ou não lhe parece. achei que aquele silva era um imbecil dos grandes e que me estava a empatar as energias com retóricas a chegar a um ponto em que a irritação me fazia agir contra a vontade de estar quieto. (p.27)

    • Crítica do médico que cuidou de laura à burocracia de lidar com a morte

    [...] estou mais farto destas tarefas. sou o rabo desta máquina, o cu da máquina, entende. a porcaria que ninguém quer fazer, esta porcaria, vem toda aqui parar à minha mesa. e, enquanto olho por quem entra ou deve entrar, despacho a vida como se tivesse vontade de a despachar à pressa. eu sou daqueles a quem a vida doeu e, mais cedo me possa estender a descansar, mais feliz me ponho. (p29-30)

    • A morte de laura: o grande trauma de antónio – o maior abandono

    [...] não respondeu de imediato, não respondeu de modo algum, do corredor silencioso, por onde tantas horas antes me haviam levado a laura, veio uma enfermeira calma de morte, eu nem sequer ali devia estar, mas que vantagem teria em passar a noite em algum outro lugar, que vantagem existia, na verdade, em não ter morrido também. (p.33)

  • capítulo dois

    a brancura é um estágio para

    a desintegração final

    • A despedida de antónio para a esposa (p.35)

    • O que é envelhecer (p.36-37) • Abandonos: antónio fora abandonado

    pela família num lar de idosos (p.37) • O abandono da filha elisa (p.39) • O ateísmo/descrença de antónio (p.40-

    41) • O lar suportava 73 pessoas, mas

    sempre tinha 93: dividido em duas alas – esquerda (doença/morte) e direita (vivos) p.42

    • A coletividade da dor (p.43) • américo: funcionário do asilo, jovem e

    sensível (p44)

    • A morte é um trauma difícil de alaborar: despedida

    abracei o corpo da minha mulher,