Apostila Goma

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GOMA BICROMATADA Rogério Simões [email protected] [email protected]

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HISTÓRICO

Abordaremos nesta apostila o processo de impressão fotográfica conhecido como Goma Bicromatada.

Ele surge em decorrência de descobertas anteriores (insolubilização do

bicromato de potássio quando exposto a luz ultravioleta - descoberta realizada pelo químico Mungo Ponton, entre os anos 1838 – 1839) e não em um momento isolado. Pelos anos seguintes a essa descoberta, vários experimentos foram tentados, mas nenhum com resultados satisfatórios.

Em 1853 o fotógrafo William Fox Talbot descobre que substâncias

coloidais , como a goma arábica, mescladas ao bicromato de potássio, tornam-se insolúveis quando expostas a luz ultravioleta.

Dois anos mais tarde, o pesquisador Alphonse Louis Poitevin adiciona

pigmento à mistura de goma arábica e bicromato de potássio, obtendo pela primeira vez um resultado satisfatório. Ao imprimir uma imagem sobre uma pedra litográfica, lança as bases dos processos utilizados até hoje na indústria gráfica.

Porém, somente ao final do século XIX a goma bicromatada começa a

ser utilizada com finalidade artística, por uma corrente fotográfica conhecida por Pictorialismo.

Nas primeiras décadas do século XX, o processo da goma bicromatada

foi profundamente estudado e aperfeiçoado pelo fotógrafo Robert Demachy. O processo foi praticamente esquecido até o final da década de 60.

Desde então, houve uma crescente procura por esta e outras técnicas de impressão fotográfica conhecidos como “históricas”, “primitivas” ou “alternativas”.

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MATERIAIS

PAPEL De maneira geral é possível aplicar a emulsão nas mais diversas superfícies, mas nesta apostila vamos nos ater a utilização do papel como suporte. Dois requisitos básicos devem ser observados na escolha do papel que utilizaremos para imprimir, o primeiro deles é sua resistência a sucessivos banhos em água, portanto papeis utilizados para aquarela são uma boa opção. Outro requisito muito importante é a pureza química, ou seja, o PH deste papel deve ser neutro para que não reaja com a emulsão, garantindo assim a durabilidade da imagem. O peso do papel, ou seja, sua gramatura é outro fator importante na escolha, como ele será submetido diversas vezes a banhos em água, é necessário que o papel tenha boa resistência, por isso, opte por papeis com gramatura igual ou superior a 300g/cm. Estes papeis são produzidos nas mais diversas texturas, não existe uma mais indicada, isto vai depender muito mais de uma opção estética do que técnica, porém uma regra básica é a seguinte: ♦ Se desejar uma imagem com maior definição utilize papeis de superfície

lisa; se preferir imagens com aparência próxima à pintura utilize papeis de superfície rugosa. ♦ Exemplo de papel com superfície lisa: Arches & Rives BFK Satiné; ♦ Exemplo de papel com superfície rugosa: Canson Montval .

PINCEL O pincel é uma ferramenta muito importante, pois ela auxiliará na boa aplicação da emulsão sobre o papel. Os mais indicados são os usados em pintura à óleo, do tipo trincha, de 2 a 4cm de largura.

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PIGMENTO Pigmentos que possam ser diluídos em água (têmpera, carvão e aquarela) podem ser usados neste processo. A aquarela em tubo é o mais indicado, por sua facilidade no manuseio em comparação a aquarela em pó, cuja preparação exige certo conhecimento. Existe uma imensa gama de cores, no entanto algumas tendem a manchar o papel, ou então, apresentam defeitos tais como: má aderência muda de cor e outros se comportam de maneira errática, às vezes ficam bons e outras não; A seguir uma lista de pigmentos recomendados e não recomendados: Bons Ruins Cadmiums - Red, Orange, Yellow Carmine Cobalts - Yellow, Blue, Violet Chromes Chinese White - Zinc White Ultramarine Cerulean Blue Prussian Blue Yellow Ochre Green Burnt Umber Magenta Alizarins - Red (Crimson, Lake, Scarlet) Rose Madder Ivory Black Vam Dyke Brown Lampblack Manganese (Blue, Violet) Naples Yellow Permanent Carmine Pthalocyanines - Blue, Green Raw Sienna Burnt Sienna Red Oxide Vermillion Viridian Strontium Yellow No mercado existem várias marcas, porém no Brasil, as mais fáceis de se encontrar são a Cotman (Inglesa) e a Maimeri Blu (Italiana), as duas marcas contam com uma boa variedade de cores e são muito boas para utilização no processo de Goma Bicromatada.

GOMA ARÁBICA A solução de goma arábica tem a função de ser o aglutinante do sensibilizador e o pigmento. Outras substâncias como gelatina, albumina e cola de amido foram utilizadas para o mesmo propósito mas, por sua excelente solubilidade, a goma arábica é o melhor material para se obter impressões de alta qualidade.

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A solução pode ser comprada pronta ou preparada usando-se goma arábica em pó. A preparação é demorada mas não é complicada.

SENSIBILIZADOR O dicromato de potássio (antigamente chamado bicromato) é a substância utilizada como sensibilizador da emulsão. Exposto à luz ultravioleta, o dicromato se torna insolúvel. Desse modo, as partes que forem expostas a luz tornam-se insolúveis e as não expostas serão eliminadas na revelação. Podem também ser usados o dicromato de amônia e o de sódio, mas estes apresentam desvantagens: o primeiro, por ter menor sensibilidade e maior custo; o segundo, por ser deliquescente (se liquefaz sob a ação da umidade do ar).

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FONTE DE LUZ ULTRAVIOLETA Como a emulsão de goma bicromatada tem baixa sensibilidade, é impossível imprimir uma imagem neste processo por meio de ampliação como no processo fotográfico convencional. A cópia é feita pelo contato do negativo com a emulsão. Portanto, a imagem terá o mesmo tamanho do negativo. Sendo a emulsão sensível à luz ultravioleta, podemos utilizar a luz do sol como fonte emissora, como era feito no século 19. Porém o sol não é uma boa fonte luz, pois não podemos controlar sua intensidade, além de dependermos das condições climáticas. Hoje em dia dispomos de lâmpadas que emitem radiação ultravioleta. A alternativa mais simples e barata é um tipo de lâmpada chamada photoflood (usada para iluminação em estúdios fotográficos e também para obtenção de matrizes de silk-screen). Uma lâmpada de 500w dará bons resultados. Outra opção são as lâmpadas fluorescentes UV, que são mais caras, porém oferecem vantagens em relação as photoflood: não esquentam (o calor excessivo insolubiliza a emulsão) e você pode construir uma prática caixa de luz para fazer várias cópias ao mesmo tempo (projeto de uma caixa de luz em anexo).

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PROCEDIMENTOS Pré-encolhimento do papel O papel deve ser pré-encohido para que não altere suas dimensões durante o processo e assim, causar problemas de registro da imagem. Para pré-encolher o papel, ele deve ser imerso em água quente por uma hora; após, proceda a secagem estendendo-o ou usando um secador de cabelos. Encolamento A superfície do papel precisa receber uma camada de gelatina para melhorar a aderência da emulsão. 1. Misture 30g de gelatina incolor em 1litro de água fria, 2. deixe a gelatina absorver a água por 15minutos, então aqueça a solução e

dilua a gelatina, 3. quando a solução estiver morna coloque-a numa bandeja e mergulhe o

papel por 15 minutos, 4. estenda o papel para secar. Importante: não use o secador de cabelos para

a secagem. Sendo a gelatina um material orgânico, ela é atacada por fungos e bactérias. Para proteger e endurecer a gelatina, o papel recebe um banho endurecedor: mergulhe o papel emulsionado em uma solução de formol (25ml para 1litro de água) durante 10 minutos. Seque o papel e ele estará pronto para ser usado. Sensibilizador Dissolva 13g de dicromato de potássio em 75ml de água a 50°C, por fim adicione água fria até completar 100ml.

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Goma arábica Instruções de preparo: 1. Ponha 300g de goma arábica em pó num coador de pano e feche com um

barbante 2. Mergulhe-o em uma jarra com 250ml de água destilada e deixe por 24horas

em local escuro. 3. Passado esse tempo, retire o coador da jarra e aperte-o com cuidado. 4. Acrescente água destilada até completar 1litro. 5. Filtre 3 vezes a solução - quanto mais fina estiver a goma arábica melhor.

Como a gelatina, a goma também deve ser protegida contra fungos e bactérias. Para isso, adicione 15ml de formol à solução.

6. Guarde em um frasco escuro

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PREPARANDO A EMULSÃO 1. Para impressões usando negativos de traço,

dilua 2cm de pigmento em 3ml de goma arábica.

2. Dissolva bem e acrescente 3ml de dicromato. Esta quantidade é suficiente para fazer 8 folhas de 20x25cm.

Para impressões múltiplas de meio tom, proceda da seguinte maneira:

Sombra Goma arábica => 3ml Sensibilizador => 3ml Pigmento => 2cm Meio tom Goma arábica => 3ml Sensibilizador => 3ml Pigmento => 1cm Alta luz Goma arábica => 3ml Sensibilizador => 3.5ml Pigmento =>0.5cm

A emulsão não pode ser estocada, pois perde sua sensibilidade. Por isso, misture os componentes sempre antes de iniciar as impressões. Estas medidas são um ponto de partida. Com o tempo você irá descobrir novas diluições para obter o resultado desejado.

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APLICANDO A EMULSÃO Sob luz suave, (pode ser uma lâmpada de 25w) aplique a emulsão no papel, com pinceladas leves e rápidas nos sentidos horizontal e vertical, espalhando pela área correspondente à imagem a ser impressa. Você pode delimitar a área usando fita crepe. Seque a folha (lembre-se: não use calor e não a exponha a luz ultravioleta para não perder o trabalho).

EXPOSIÇÃO

Para saber o tempo mínimo de exposição faça o seguinte teste, aplique a emulsão numa folha preparada, corte-a em tiras, exponha estas tiras com tempos diferentes variando de 2 a 15minutos tapando um dos lados da tira, revele e veja qual foi o tempo mínimo necessário para que o lado descoberto da tira esteja impresso, este será o tempo para imprimir um negativo de traço ou as áreas de sombra da imagem em negativos de meio tom. As imagens de meio tom devem ser expostos nesta seqüência primeiro alta luz, depois meio tom e por último sombra. Há duas formas de realizar cópias de múltiplas impressões, aplicando as respectivas emulsões e depois revelar ou então revelar após cada exposição, a primeira sem dúvida alguma é um procedimento mais rápido mas exige uma emulsão bem fina e muita prática ao aplicá-la, não há diferenças no resultado final das duas formas.

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REVELAÇÃO Para aqueles que estão mais afeitos aos procedimentos de laboratório fotográfico esta parte do processo apresenta uma aspecto bastante inusitado: a revelação se faz com água e não usando uma solução química. Você precisará de 3 bandejas, no mínimo, para revelar a imagem. Atenção: a emulsão é delicada. Por isso manuseie com cuidado a folha exposta. 1. Coloque-a com a emulsão virada para baixo na primeira bandeja com água.

Deixe por 5 minutos sem agitar. 2. Coloque-a em outra bandeja por 5minutos. 3. Passe-a para a 3ª bandeja e deixe por mais 5minutos. O tempo mínimo

recomendado de revelação é 15minutos, mas pode estender-se até uma hora, isso vai depender única e exclusivamente de sua avaliação.

Também pode-se usar um pincel ou um borrifador para acelerar o processo de revelação. Manuseie as folhas usando luvas de borracha: o dicromato de potássio é altamente tóxico e cancerígeno. Seque a cópia e, se quiser, podemos aplicar sobre a imagem uma camada de verniz para melhor protege-la.

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Produzindo o negativo Como a emulsão utilizada neste processo é muito lenta, não podemos obter imagens por meio de ampliação, a cópia é obtida por contato, portanto, o negativo deverá ter o tamanho exato da imagem que queremos imprimir. Existem duas formas de se produzir um negativo: • Processo fotográfico convencional • Meios eletrônicos de editoração de imagens Nos dois métodos existem vantagens e desvantagens, a seguir apresentaremos instruções para a confecção de um negativo pelos dois métodos. Processo Fotográfico Convencional Neste processo você deverá ter um laboratório fotográfico preto e branco, pois irá ampliar uma imagem num filme gráfico. Poderemos utilizar um slide, negativo ou mesmo fazer fotogramas, lembrando que se utilizarmos um negativo à imagem reproduzida no filme será positiva, portanto quando for impressa ela será negativa, por isso para que imagem impressa seja positiva utilize um filme positivo. O filme utilizado é o mesmo para se fazer fotolitos, no Brasil existem poucas opções de compra, tanto no que diz respeito a marcas como onde comprar (veja apêndice no final da apostila), além se ser caro esse tipo de filme. Ele pode ser encontrado no formato 35mm e em folhas do tamanho 9x12cm até 50x60cm. Seu processamento é simples e têm a vantagem de poder ser manuseado sob a luz vermelha da lanterna de segurança do laboratório. Existem dois tipos de negativos com o qual poderemos fazer impressões: negativo de traço e de meio tom. Negativo de traço Esse tipo de negativo é destinado a impressões únicas, com imagens de apelo gráfico. Para revelar esse negativo você utilizará um revelador próprio para filme gráfico ou então, revelador para papel fotográfico, em alta concentração. Seu processamento é semelhante a do papel, porém, sendo um filme, após a lavagem para que seque de maneira uniforme sem manchas, ele deverá receber um banho de agente umedecedor ( Kodak Photo-Flo 200 ou similar ).

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Negativo de meio tom Esse tipo de negativo é destinado a impressões múltiplas onde reproduziremos toda a gama tonal de uma imagem, ou seja, faremos a separação de tons. Para imagens monocromáticas sombra, meio tom e alta luz, e para as coloridas ciano, magenta e amarelo. Para produzir um negativo para impressões monocromáticas proceda da seguinte forma: encontre uma regulagem de abertura e tempo de exposição que produza uma negativo que represente os meios tons da imagem, essa é uma avaliação um tanto quanto que subjetiva que dependerá do seu grau de experiência no laboratório. Feito isso, para se obter os outros negativos, feche um ponto na abertura da lente para sombra, e abra um ponto para a alta luz, esses valores são um ponto de partida, você deverá realizar vários testes, pois, à distância entre os negativos lhe dará mais ou menos contraste na impressão. Nas imagens coloridas você fará separação dos tons se utilizando de filtros próprios para essa finalidade. Para entender como funciona a filtragem vamos relembrar a teoria das cores, através do diagrama abaixo:

As cores primárias são azul, verde e vermelho e as complementares são amarelo, magenta e ciano, que como notamos no diagrama é o resultado da combinação entre duas cores primárias. Nas impressões coloridas faremos três camadas de pigmentos diferentes, a primeira amarela, a segunda magenta e a terceira ciano, então teremos que produzir negativos que só permitam a passagem da cor desejada. Para a obtenção desses negativos o ideal é partir de um filme positivo, procedendo da mesma forma como se você fosse fazer uma ampliação. A imagem do filme passará pelo filtro e impressionará no filme gráfico apenas a cor desejada. O filtro azul deixará passar apenas os tons de verde e vermelho que servirá para a camada de pigmento amarelo, o filtro verde apenas os tons de azul e vermelho da camada magenta e o filtro vermelho os tons de verde e azul para a camada ciano. Outro elemento importante nas impressões com separação de tons é a retícula, ela é quem dará a sensação de cor nas imagens.

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Experimente olhar uma foto, impressa em um livro ou revista, com uma lupa e você verá que ela é composta por pontos coloridos, mas precisamente pelas três cores complementares amarelo, magenta e ciano. A combinação desses pontos é que dá a sensação de colorido na imagem. Veja na figura abaixo como é a retícula.

Dois valores são muito importantes de serem controlados na retícula, o numero de linhas por polegada e o ângulo de inclinação. O primeiro irá alterar a sensação de nitidez da imagem, ela está diretamente relacionada com o tamanho da imagem, por exemplo, um outdoor é feito com uma retícula de poucas linhas por polegada, ela fica perceptível quando chegamos perto, mas de longe a definição da foto é perfeita, numa revista a quantidade de linhas por polegadas é maior, pois veremos a imagem de perto. As retículas podem variar de valores em torno de 65 a 300 linhas por polegada, para impressões de goma bicromatada o valor de 100 linhas por polegada é o suficiente. O ângulo da retícula é importantíssimo, pois se tratando de uma impressão múltipla, se você usar o mesmo ângulo para todos os negativos estará imprimindo uma cor sobre a outra, que resultará numa imagem em preto e branco.

Dar a angulação correta a retícula também evita um defeito conhecido como moiré (lê-se moarê), ele ocasiona o aparecimento de formas geométricas na imagem que tornam a retícula perceptível. Como você pode notar estivemos sempre nos referindo a impressão gráfica por que na verdade o que chamamos de negativo é um fotolito.

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Os processos de fabricação de fotolitos sofreram mudanças muito importantes nos últimos anos com a adoção dos meios eletrônicos de editoração de imagens, a grande maioria das gráficas não se utiliza mais do processo convencional para fazer fotolitos, por uma questão de praticidade e economia, por isso será bastante difícil você encontrar no mercado onde comprar os filtros de separação de tons e a retícula. Porém não pense que foram em vão as explicações dadas, elas são necessárias para uma melhor compreensão de como funciona a separação de tons. A seguir vamos entender como funciona a produção de um negativo por meios eletrônicos de editoração de imagens. Negativo Digital Como qualquer processo exige o domínio da técnica para que possamos atingir bons resultados, neste meio de obtenção de negativos não é diferente, o que acontece é que trocamos os conhecimentos de laboratório fotográfico pela operação de softwares de computador. A imagem utilizada deverá ser digitalizada para que possa ser trabalhada pelos programas. Os meios de digitalização de imagens são: fotografar com uma câmera digital e scannear uma foto ou um filme. Fotografando com uma câmera digital a imagem já é gravada no dispositivo de memória do equipamento em formato digital, você terá apenas o trabalho de transferir os arquivos para o HD de seu microcomputador. No segundo meio de digitalização você irá fotografar com um equipamento convencional, e conforme o tipo de scanner que você tenha a disposição, fazer a digitalização. Mesmo que você não tenha um scanner existem lugares onde você pode fazer este serviço e ter as imagens gravadas em um CD-ROM. Como o scanner para fotos é o equipamento mais comum de se encontrar, até mesmo para um usuário doméstico, darei algumas instruções para uma melhor digitalização destinada ao fim que daremos a esta imagem digitalizada:

• Scanneie na mais alta resolução do scanner. • Salve o arquivo em formato TIFF, próprio para impressões.

• Prefira fotografias em papel brilhante, elas resultam em melhor

definição.

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Após a digitalização da imagem você precisará utilizar algum software ( Adobe Photoshop, por exemplo ) para melhor ajustar a imagem no que diz respeito a tamanho, contraste, cor, etc. Mas o programa também lhe dará a liberdade de modificar uma fotografia, usando toda a sua criatividade para produzir uma imagem completamente diferente. É lógico que isso dependerá do grau de intimidade que você têm com o programa. Para produzir um negativo de traço proceda da seguinte maneira:

• Se a foto estiver em modo RGB converta para escala de cinza, já que o negativo será impresso em tinta preta e sem separação de tons.

• Use o comando Ctrl + I para tornar a imagem negativa.

• No menu File vá até o Page setup e configure o tamanho e o

posicionamento da folha a ser impressa. • No mesmo menu File clique a opção Print with preview ou use o

comando Ctrl + P, abrirá a caixa de diálogo mostrada na figura a seguir.

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Nesta caixa de diálogo você irá incluir uma borda em volta da imagem e também as marcas de registro, se quiser fazer mais que uma impressão no mesmo papel. Os negativos com separação de tons para impressões monocromáticas serão produzidos utilizando o mesmo princípio que na forma convencional, a partir de uma imagem iremos produzir três outras de contraste diferente. Nos negativos para impressões coloridas além do Photoshop também utilizaremos o Coreldraw, para podermos configurar a retícula. Procedimento

• Ainda no Photoshop converta a foto para o modo CMYK, pois nas separações de tons coloridos usamos as cores complementares, não se esqueça também de converter a imagem em negativa.

• Abra o Coreldraw e importe a imagem que usará na impressão.

• Posicione no centro da folha. • No menu File vá até a opção Print ou use o comando Ctrl + P e

aparecerá a seguinte caixa de diálogo.

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• Clique na opção separations. • Ative o print separations, repare que na parte inferior da caixa de

diálogo ficarão abilitadas as opções de cor, freqüência e ângulo da retícula.

• Desative o preto, pois nas impressões coloridas de goma

bicromatada, não usamos o negativo para o preto.

• Agora iremos configurar os valores da retícula, clique na opção

advanced e se abrirá a caixa de diálogo mostrada a seguir.

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Page 19: Apostila Goma

• Em Screening technology escolha a opção AGFA balanced screening – dot.

• Escolha a resolução que achar a melhor, 1200dpi é o suficiente. • Altere a freqüência para 100.

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• Em Halftone type escolha a opção Dot.

• Clique em Ok e voltaremos a primeira caixa de diálogo, clicando em

Print preview poderemos visualizar como será impresso cada negativo de separação (ciano, magenta e amarelo).

• Outro comando importante é o que define as marcas de registro,

para isso na caixa de diálogo print clique na opção Prepress ative o print registration marks, escolha o tipo de marca de registro que desejar e desative todas as outras opções.

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• Clique em aplicar e já está pronto para imprimir Se você for imprimir o negativo numa impressora jato de tinta não poderá usar as configurações avançadas de retícula, elas só podem ser utilizadas em impressoras a laser. O material onde será impresso o negativo é um acetato próprio para transparências, cada tipo de impressora usa um específico, ou seja, existe um para jato de tinta e outro para laser. Configure no software da sua impressora o tipo de material no qual será impressa a imagem, normalmente existe uma opção para transparências. Registro Nas impressões múltiplas é imprescindível que consigamos manter a exata sobreposição dos negativos, a isto damos o nome de registro. Uma imagem fora de registro parece fora de foco e confunde a visão, o cérebro busca encontrar o registro e não consegue. Nos negativos digitais as marcas de registro são impressas junto com a imagem, já no método convencional você deverá criar o registro com um furador de papel. Compre dois furadores idênticos, um deles será desmontado para utilizarmos os pinos furadores com os quais faremos a base de registro. Esta base será usada tanto na ampliação da imagem no filme gráfico como no momento da impressão.

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Apêndice Revelador Para negativo de traço (alto contraste)

• Kodalith Liquid • Kodak Dektol puro

• Revelador Lith Fotobras

Para negativos de meio tom

• Kodak Dektol diluição 1:2 • Kodak HC-110 diluição b

• Revelador Ilford Multigrade

Filme gráfico

• Película Kodalith Orto tipo 3 • Filme Lith Fotobras

Transparência

• Transparência Epson • Transparência 3M para impressora laser

• Transparência Lumijet

Onde encontrar

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Químicas e materiais de laboratório MERSE – Artigos para laboratórios Rua Dr. Quirino, 212 – Centro – Campinas Tel.: (0XX19)3231-6899 – Fax (0XX19)3231-6645 CASA BEM –TE –VI Rua dos Chanés,351 – Moema – São Paulo Tel.: (0XX11)533-4533 Papéis, aquarelas, pincéis e verniz CASA DA ARTE Rua General Osório, 1753 – Cambuí – Campinas Tel./Fax.: (0XX19)3254-7355 CASA DO ARTISTA (VISITEX) Av. Brigadeiro Faria Lima, 850 – Pinheiros – São Paulo Tel.: (0XX11)258-6711 – Fax.: (0XX11)231-2787 Materiais fotográficos: filme gráfico, revelador, Kodak Photo Flo 200, etc. WALDIR FOTO Rua Barão de Jaguará, 877 – Centro – Campinas Tel.: (0XX19)3232-3155 FOTO IMPERIAL Rua General Osório, 766 – Centro – Campinas Tel.: (0XX19)3231-3159 CHROMURO Av. Horácio Lafer, 225 – Itaim Bibi – São Paulo Tel./Fax.: (0XX11)3044-0127 FOTOBRAS Indústria e Comércio Ltda. Av. Brasil, 1664 – Jd. Guanabara – Campinas Tel.: (0XX19)3241-4600 / 3242-0877 / 3243-2814 MAQTINPEL Máquinas e Materiais Gráficos Ltda. Rua Bresser, 1466 – Brás – São Paulo

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Tel.: (0XX11)6694-3311 Transparência KALUNGA Comércio e Indústria Gráfica Ltda. Av. Andrade Neves, 555 – Botafogo – Campinas Tel.: (0XX19)3234-6208 CASA DAS GUIAS Av. Orozimbo Maia, 430 – Centro – Campinas Tel.: (0XX19)3235-3869 / 3737-8500 B&H PHOTOVIDEO 420 Ninth Ave. - New York - NY 10001 – USA Tel.: 0800-891-0325 Fax.: 0800-891-0320 e-mail: [email protected] Material elétrico e lâmpadas SUDELETRO Ltda. Av. Senador Saraiva, 396 – Centro – Campinas Tel.: (0XX19)3234-4125 / 3234-1212 EVEREST ELETRICIDADE Av. Benedicto Campos, 275 – Jd. do Trevo – Campinas Tel.: (0XX19)3772-4500 Fax.: (0XX19)3772-4545 Químicas Amônia Sinônimo: Hidróxido de amônia, solução de amônia. Características: Solução aquosa incolor do gás de amônia; forte reagente alcalino; cáustico; tende a aumentar a estrutura do grão de negativos; hipersensibilizante de filmes.

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Cuidados: Manuseie em lugar bem ventilado usando máscara para gases, óculos e luvas. Dicromato de Potássio Sinônimo: Bicromato de Potássio Características: Usado em intensificações por cromo e como sensibilizador em diversos processos fotomecânicos; cristais vermelhos alaranjados obtidos de minério de ferro cromo; facilmente solúvel em água a temperatura ambiente como quente; misturado a substâncias coloidais torna-as insolúveis quando exposto à luz ultravioleta. Cuidados: Altamente venenoso e facilmente absorvido pela pele; no seu preparo e manuseio use máscara, luvas, óculos e faça em lugar bem ventilado. Formaldeído HCHO Sinônimo: formalina, aldeído fórmico, formol. Características: O formaldeído puro é um gás, mas comercialmente ele é estocado numa solução aquosa na proporção de 37% e metanol a 9% como estabilizador; usado como endurecedor da gelatina de filmes e papéis para processos como a goma bicromatada; também é utilizado por sua ação fungicida e bactericida. Cuidados: Muito venenoso, seus vapores atacam os olhos, nariz e garganta, causando irritação intensa. Manipule em lugar bem ventilado usando máscara, luvas e óculos. Gelatina Características: Produto obtido do cozimento de pele, tendões, ossos, ligamentos e cascos de animais; não tem uma composição química definida, mas tem carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio e uma pequena proporção de enxofre. É insolúvel em água fria, ela absorve esta água inchando e formando uma massa viscosa; também é insolúvel em álcool e éter; em água quente é totalmente solúvel em qualquer proporção. Goma Arábica Características: Substância viscosa obtida do tronco da Acácia e também de algumas frutas nativas da África. É solúvel em água, mas se torna insolúvel quando misturada a certos bicromatos e exposta a luz ultravioleta. Usada como cola de uso geral, para encolamento de papéis e como colóide no processo de goma bicromatada.

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Bibliografia SCOPICK, David – The Gum Bichromate Book ( non-silver methods for photographic printmaking ) – 1991 Focal Press. RAVIOLA, E. – Fotolitografía ( Panorama de los impresos – fotografía y fotomecánica ) – 1969 Ediciones Don Bosco

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