AORGANIZA‡ƒO SOCIAL DE UMA COMUNIDADE DE PESCADORES ... pescadores dentro de um contexto...

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39H647o

fr

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE FILOSOFIA E CINCIAS HUMANAS

DEPARTAMENTO DE CINCIAS SOCIAIS

MESTRADO EM ANTROPOLOGIA

m

AORGANIZAO SOCIAL DE UMA COMUNIDADE DE PESCADORES-AGRICULTORES DO LITORAL SUL DO RIO GRANDE DO NORTE

- FRANCISCA DE SOUZA MILLER -

DISSERTAO DE MESTRADO

ORIENTADOR: ROBERTO MOTTA

Recife, 30 de dezembro de 1992.

Universidade Federal de Pernambuco

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ABSTRATO

o presente trabalho investiga a organizao social dos

pescadores dentro de um contexto ecolgico, na comunidade de pesca da

Barra de Tabatinga, RN, frente s mudanas introduzidas por turistas e

veranistas, a partir da dcada de 80. Mostra que, nesta comunidade, a or

ganizao social do trabalho e a diviso da produo nao seguem o padro

tradicional de outras comunidades de pesca artesanal. Conclui que a au

sncia de estratificaao social e a baixa produtividade se deve tecnolo

gia rstica ainda utilizada por estes pescadores, onde o excedente de pro

duo e o suficiente apenas para sobreviver, j que o lucro marginal do

capital muito baixo em relaao ao retorno do trabalho.

DEDICATRIA

Aos peseadores-agricultores da Barra de Tabatinga,sem

os quais este trabalho no teria sido possvel.

AGRADECIMENTOS

Na realizao deste trabalho, contamos com a colaborao valio

sa de algumas pessoas. Aproveitamos o ensejo para agradecer aoProf. Dr. Ro

berto Motta, pela orientao paciente, durante toda trajetria da realizao

desta dissertao; a Prof Dr5 Simone Carneiro Maldonado (UFPB), ao Prof.

Dr. Tom O. Miller Jr (UFRN) e ao Prof. Dr. Russell Parry Scott (UFPE) que

muito nos estimularam com sugestes e crticas valiosas; ao Prof. Dr. Joo Pa

checo de Oliveira Filho (UFRJ), pelas observaes que fez, por ocasio da le^

tura de um captulo deste trabalho; a Coordenao de Aperfeioamento de Pes

soai de Nvel Superior (CAPES) pela ajuda financeira que forneceu durante

dois anos e meio, Universidade Regional do RN (URRN), que possibilitou

nossa sada para o curso de Ps-Graduao; e ao Prof. Dr. Waldson Pinheiro,

que revisou meu portugus na introduo desta tese.

NDICE

INTRODUO 01

CAPTULO I

. NOSSO UNIVERSO E SEUS FUNDAMENTOS 09

2.1- tica Metodolgica na Anlise dos Dados 14

CAPTULO II

. O HOMEM E SEU AMBIENTE 20

2.1- Utilizao de Produtos Silvestres e Arvores Frutferas 21

2.2- Utilizao dos Recursos Aquticos 28

2.3- Tecnologia Pesqueira e o Alcance dos Barcos 33

2.4- A Questo da Terra e a Agricultura na Barra de Tabatinga" 41

2.4.1- A Terra 41

2.4.2- A Agricultura 46

2.5- Conservao dos Alimentos 32

2.6- Comercializao 53

2.7- Pluralismo 55

CAPTULO III

. ORGANIZAO SOCIAL DO TRABALHO 61

3.1- Parentesco e Relaes Sociais 61

3.2- Organizao Social da Pesca 62

3.3- Trabalho Domstico 77

3.4- A Casa de Farinha 79

3.5- Artesanato 8^

3.6- Diviso do Trabalho e da Produo 82

3.7- Ideologia 87

- CAPTULO IV

. ELEMENTOS DE MUDANA SOCIAL 91

4.1- Explicitao do Conceito 91

4.2- Fatores Externas de Mudana 92

4.3- Mudana em Barra de Tabatinga 96

4.4- A Especulao Turstica e Imobiliria 100

- CONSIDERAES FINAIS 106

- BIBLIOGRAFIA 132

'A cincia a procura da verdade; no um

fogo no qual uma pessoa tenta bater seus o-

ponentes, prejudicar outras pessoas'V.

Linus Pauling

INTRODUO

o nosso interesse pela atividade dos pescadores come

ou durante o treinamento de pessoal de um curso de Antropologia Mari

nha em um projeto piloto, na praia de Bzios, municpio deNisia Floresta,

RN. Tendo o curso sido ministrado na prpria praia, foi possvel obser

var de perto alguns dos problemas enfrentados por esta comunidade. Atra

vs de um levantamento feito pela equipe de Tom Miller (da qual eu fazia

parte), chegou-se concluso de que existem muito poucas informaes

cientficas sobre as comunidades litorneas do Brasil (Diegues, Miller,

1983), algumas das melhores tendo sido publicadas no Exterior em lngua

estrangeira (Forman, Mussolini, 1952). Nada tinha sido levantado sobre

a renda ou produo da unidade familiar das comunidades de pesca arte-

sanal do Rio Grande do Norte que pudesse servir de subsdio para o co

nhecimento delas e conduzir ao desenvolvimento comunitrio ou regional,

com a incluso dessas comunidades de pesca.

Ao terminar a pesquisa com os pescadores de Bzios,

alguns membros da equipe resolveram empreender uma serie de pesquisas

em Pirangi do Sul, que fica na mesma rea, com a idia de aprofundar os

conhecimentos essenciais de uma comunidade sob o impacto de grandes mu

danas com a implantao de uma empresa de pesca no local.

A pesquisa cujos resultados passamos a expor foi reali

zada na comunidade litornea da Barra de Tabatinga, localizada ao sul do

Estado do Rio Grande do Norte e, como as outras duas comunidades j

mencionadas, pertencente ao municpio de Nsia Floresta. Escolhi este gru

po como universo da pesquisa por j ter tido contato com eles em 1982 e

por ser esta uma das ltimas comunidades da microrregiao sul, onde ain

da se pratica a pesca artesanal.

Na tentativa de compreender melhor esse tipo de comuni

02

dade, senti a necessidade de tomar conhecimento de outras anlises antro

polgicas de comunidades de pescadores, realizadas no s no Brasil como

tambm na Europa, sob o ttulo de Etnografia Martima (Maldonado, 1988;

MoUat, 1979) e na Amrica como Antropologia Martima (Smith, 1977; Die-

gues, 1983; Maldonado, 1986). A leitura de outras etnografias justifica-

se pelo fato de que, estando estas comunidades lidando com o mesmo tipo

de meio ambiente e tecnologia, existem semelhanas estruturais com a pes

ca das comunidades litorneas nordestinas, o que pode servir de evidn

cia para a universalidade do que constitui a pesca artesanal. Assim, se

ro utilizados como temas paralelos de anlise os resultados dessas e de

outras pesquisas sobre a mesma temtica, sobretudo os trabalhos feitos en

tre os pescadores de outros Estados do Brasil (Kottak, 1966; Willems,

1966; Forman, 1967; Motta, 1979; Diegues, 1983; Maldonado, 1986; Cor-

dell, 1989) e os estudos sobre as tradies pesqueiras escandinavas e ca

nadenses.

Como minha primeira experincia de pesquisa com pesca

dores aconteceu em 1983 junto s comunidades de Pirangi do Sul e Bzios,

a necessidade de me referir a elas se justifica por j terem passado pelo

mesmo processo de mudana estrutural iniciada por foras externas que a

comunidade da Barra somente agora comeou a passar, alem de estarem

ligadas a Barra por fortes laos de parentesco e vizinhana.

De 1982 a 1984, a estrada que liga Natal a Barra de Ta

batinga, passando por Pirangi do Sul, s era pavimentada at Bzios,

que fica a 3 km da Barra. A localizao geogrfica das duas comunidades

sempre foi de melhor acesso do que a localizao da comunidade da Barra.

Enquanto Pirangi do Sul e Bzios ficam em terrenos planos, facilitando na

poca um contato maior entre estas e a sociedade mais ampla, a Barra de

Tabatinga fica sobre uma barreira que at 1985 ainda desmoronava, levan

do junto parte da estrada de barro que dava acesso a esse grupo de

pescadores-agricultores. Assim, s era possvel chegar at l via Nsia

03

Floresta ou mesmo pelo mar.

Enquanto as dificuldades de acesso mantiveram (se^n-

do os prprios informantes) a Barra de Tabatinga isolada at 1985, duran

te os anos de 1983 a 1984, tivemos a oportunidade de observar que a pre

sena de veranistas e turistas nas comunidades de Pirangi do Sul e B

zios foram as causas principais da rpida mudana tanto na economia quan

to no padro valorativo desses grupos.

O processo de urbanizao (intensificado principalmente

a partir da construo da rodovia Br-101) e a expanso do setor tursti

co na regio trouxeram grandes mudanas que desarticularam a cultura

praieira a tal ponto que muitas j foram totalmente descaracterizadas. E

no podia ser diferente, ja que se trata de dois padres diferentes e o-

postos de ocupao do espao, tanto na sua estrutura e na sua lgica

quanto nos seus objetivos: os pescadores, como moradores tradicionais,

j encorapassados pelo ecossistema; os hotis, veranistas, restaurantes, tu

ristas como um universo de presena oscilante, sazonal, visando lazer,

cio, prazer e lucro. As modificaes bruscas nos padres econmicos e va

lorativos, criando novas expectativas nesses grupos, provocaram uma mu

dana na sua organizao social. O que vamos j nao correspondia mais

ao tipo de organizao social tradicional descrita pelas pessoas idosas des

sas comunidades.

No caso das duas comunidades vizinhas Barra de Ta

batinga, a possibilidade de uso de uma nova tecnologia, em vez da tecno