A Midiatiza§£o da Mem³ria - Andrade...  © o caminho da mudan§a; e...

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Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo

PUC-SP

Diogo Andrade Bornhausen

A Midiatizao da Memria:

Projees, regulaes e sujeies no ambiente digital

Doutorado em Comunicao e Semitica

So Paulo

2016

Diogo Andrade Bornhausen

A Midiatizao da Memria:

Projees, regulaes e sujeies no ambiente digital

Doutorado em Comunicao e Semitica

Tese apresentada Banca Examinadora da Pontifcia

Universidade Catlica de So Paulo, como exigncia

parcial para obteno do ttulo de Doutor em

Comunicao e Semitica, sob a orientao do Prof. Dr.

Norval Baitello Junior.

rea de Concentrao: Signo e significao nos processos comunicacionais

Linha de Pesquisa: Processos de criao na comunicao e na cultura

So Paulo

2016

BORNHAUSEN, Diogo Andrade.

A Midiatizao da Memria: Projees, regulaes e sujeies no ambiente

digital. Diogo Andrade Bornhausen. So Paulo, 2016, 147 p. Tese

(doutorado) Programa de Estudos Ps-Graduados em Comunicao e

Semitica.

Orientador: Norval Baitello Junior.

Bolsista CNPq. Nmero do processo: 167225/2014-6.

Banca Examinadora

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minha me,

por desde cedo ter me ensinado o valor do conhecimento

e com ele encontrar o meu lugar no mundo.

Minhas memrias e minhas gratides

No dia 16 de setembro de 2015 tive a oportunidade de mediar um debate entre Ekhard

Frlus e Norval Baitello Junior, o tema: Presente ou Genealogia? possvel educar para um

mundo mais sbio?, inserido no evento Sapientia. Arqueologia de um saber esquecido. Um

presente dado em minhas mos por Norval e que naquela situao (avistando a reta final deste

doutoramento) mostrou-se providencial. Meu mestre, amigo e orientador havia com seu convite

me dado a chance de perceber o quo valiosa a memria em tempos de excessos de informao

e de esquecimentos intencionais em favor da inovao. Nesta experincia, percebi que a

pesquisa que se montava, e que agora se apresenta, no se referia somente memria nos meios,

mas minha prpria memria, pessoal e acadmica.

Esta tese , antes de tudo, o resultado do respeito e do reconhecimento sua rvore

genealgica, cujo cerne so as ideias de Norval a quem sou especialmente grato por me inserir

e me guiar neste ambiente intelectual e por ser para mim um exemplo de vida , que se

florescem e se enrazam em uma labirntica fonte de saberes. a esta rvore que agradeo, pois

ela a responsvel por todos os caminhos e descaminhos que tomei. No irei nesses

agradecimentos mape-la, pois ela est alm da categorizao, mas buscarei sincronicidades

neste tronco. Por isso, exponho minha reverncia a:

Lucrcia Ferrara, primeira orientadora de Norval e exmia cuidadora de mim e de minha

pesquisa; Harry Pross, Ivan Bystrina e Dietmar Kamper, que orientalizaram nossos passos de

forma corajosa; Malena Contrera, pela maternidade e por mostrar o mundo imaginrio no qual

nos inserimos; Jean Baudrillard, Muniz Sodr e Eugnio Trivinho, por mostrarem que a audcia

o caminho da mudana; e Vilm Flusser, que a ferro e fogo marcou esta trajetria do comeo

ao fim, provocando permanentemente a dvida.

Ao CISC Centro Interdisciplinar de Semitica da Cultura e da Mdia , por ter me

feito sua memria e por ter me apresentado amigos presentes na minha: Eugenio Menezes,

Jorge Miklos e Maurcio Ribeiro da Silva, pelas valiosas orientaes; Camila Garcia, Luiza

Spinola, Helena Navarrete, Fabio Ciquini, Rodrigo Fernandes, Alex Heilmair e Tiago Mota,

por terem comprovado que cincia s se faz com felicidade.

Aos amigos da FAAP, Rubens Fernandes, Luiz Felipe Pond, Artur Marques, Reinaldo

Cardenuto, Jos Luiz Bueno, Tatiana Amndola, Mrio Srgio de Moraes, os integrantes do

grupo Flusser e todos os alunos. Nossos dilogos e encontros dirios nesses anos semearam

muitas das ideias aqui contidas.

Aos professores do programa de Comunicao e Semitica e Cida Bueno, pelos

valorosos conselhos e toda paciente ateno que me deram nesses anos. uma honra ser filho

da PUC pelos braos do COS. A Christoph Wulf, Gnter Gebauer, Siegfried Zielinski, Claudia

Becker e Rodrigo Novaes, pelas preciosas conversas sobre esta tese quando ela ainda era uma

nebulosa ideia combinada ao glido ar berlinense. Ceia Almeida e Silvio Mieli, por terem

se aberto a esta pesquisa e aceitado as futuras interlocues.

Aos meus familiares e amigos, com destaque para Tiago Andrade, Emanuel Peixer,

Leonardo Tadeu e Magaly Pandolfo, por terem acompanhado a recluso que essa trajetria

imps e me lembrado com boas risadas que tudo isso valia a pena. A Erika Magalhes, por

todos os ensinamentos que tornaram-se parte de uma memria profunda, e a todos os amigos

que os lapsos da minha memria fizeram deixar de citar, nossas experincias esto marcadas

para alm do papel.

Coordenao de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior e ao Conselho

Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico pelo apoio financeiro, sem o qual nada

disso teria sido possvel.

Assim que acabo de falar, assim que acabo de agir, as minhas

palavras ou os meus atos afundam-se no reino da memria.

Marc Bloch

Como fazer no bicho-homem uma memria? Como gravar algo

indelvel nessa inteligncia obtusa voltada para o instante, meio

obtusa, meio leviana, nessa encarnao do esquecimento? [...]

talvez nada exista de mais terrvel e inquietante na pr-histria do

homem do que a sua mnemotcnica.

Grava-se algo a fogo, para que fique na memria: apenas o que

no cessa de causar dor fica na memria [...]. Jamais deixou de

haver sangue, martrio e sacrifcio, quando o homem sentiu a

necessidade de criar em si uma memria.

Friedrich Nietzsche

O esquecimento uma das formas de memria,

seu vago sto o secreto verso da moeda.

Jorge Luis Borges

Resumo

Esta tese tem o propsito de identificar como estruturada e disponibilizada a memria nas

redes digitais e como seu funcionamento influencia na construo desse ambiente

comunicativo. Esse questionamento parte da importncia que a memria possui para a cultura

e para a comunicao para o como valorizada na atualidade, projetada por sua totalidade e

plenitude. Em razo disso, observa-se que sua atuao ultrapassa a funcionalidade tecnolgica

e se constitui como agenciadora das estratgias dos meios em narrativizar e gerenciar os

saberes, sendo por isso miditica. Para tanto, evidencia a importncia que a memria possui em

ser instrumento de conservao passvel de resgate, observando suas assimilaes culturais para

perceb-la como objeto idealizado. Atenta-se para a forma como seus elementos so reunidos

pelos meios, que a presentificam sob a imagem de acesso total e a empregam como valor que

estimula e legitima suas dinmicas em rede. Esta abordagem concentra-se em duas plataformas:

Google e Facebook, por assistir nelas prticas mnemnicas que comprovam a formao de

ambincias especficas a seus participantes, tais como a convico de integralidade e de controle

das informaes. Prope a existncia de uma imaginrio mnemnico miditico que submete as

experincias de memria ao automatismo e ao excesso, decorrentes de um tempo-presente

estimulado pela visualidade, o que ressignifica suas compreenses coletivas e subjetivas,

principalmente. Em vista disso, fundamenta-se teoricamente nos conceitos enunciados pela

Teoria da Mdia alem e brasileira , com destaque para as reflexes de Norval Baitello Jr.

acerca dos ambientes da comunicao e da crise de visibilidade decorrente do excesso

informativo, de Vilm Flusser, quando alia a comunicao com as ideologias da memria e

avalia a des-ideologizao promovida pelos meios, de Dietmar Kamper, em seus conceitos

de rbita do imaginrio e fora da imaginao, e de Malena Contrera, quando entende a

formao de uma mediosfera que assimila os valores arcaicos em favor de um imaginrio

meditico, principalmente. Se vale ainda do papel da memria para a cultura, vista por Ivan

Bystrina e Ernst Cassirer, de sua assimilao feita pelo digital, ao inserir-se em um espao

contnuo, como pensado por Lucrcia Ferrara, e dromocrtico, em referncia aos conceitos

de Paul Virilio e Eugenio Trivinho.

Palavras-chave

Memria Miditica; Memria no Google; Memria no Facebook; Imaginrio Mnemnico

Miditico

Abstract

This thesis aims to identify how memory is structured and available in digital networks and

how its operation affects the construction of communicative environment. This questioning is

based from the importance that memory has for culture and communication to how it is valued

in contemporary, designed by its totality and fullness. As a result, it is observed that memorys

performance exceeds the technological functionality and it is constituted as an agent of media

strategies in narrativize and manage knowledge, therefore being mediatic. In this way, the

research highlights the importance that memory has being an instr