A Garota do Dique - G. Norman Lippert

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  • 1. A GAROTA DO DIQUE Uma histria de Petra Morganstern escrita e ilustrada por G. Norman Lippert Todos os direitos reservados G. Norman Lippert, 2008

2. Traduo para o portugus de Composta por: . mafia dos livros . - Brasil LLL - Hispanoamrica e Espanha 3. Ao retornar para a casa de seu av no final de seu ltimo ano escolar, Petra Morganstern uma jovem bruxa totalmente diferente. Segura de suas ltimas escolhas, mesmo que ainda seja atormentada por sonhos que lhe mostram o peso delas, Petra no tem certeza do que fazer com o resto de sua vida. A nica fagulha de esperana que Petra ainda possui a sua pequena meia-irm, Isabela, cuja encantadora ternura suprimida por Flis, sua odiosa me. Em seu desespero para proteger Isabela dos crescentes ataques de raiva de Flis, Petra se esfora para equilibrar as foras que anseiam dominar seu corao. Ir ela se apegar s decises que j tomou, sobrepondo o bem aos seus mais ntimos desejos, ou aos fantasmas do poder e da vingana, sempre maquinando nas profundezas de sua mente? Enquanto as coisas saem do controle, Petra enfrenta novamente as implacveis foras do destino, que lhe impelem tomar uma deciso definitiva uma vez mais. Mas dessa vez no haver ningum l para ajud-la. Agora, a escolha cabe somente Petra. 4. A histria da histria Saudaes, caro leitor, e bem vindo Garota do Dique. Antes que comece a ler o conto, acho que seria de grande ajuda para mim lhe contar a histria da histria. H pouco mais de um ano, eu embarquei num projeto literrio. Era s para passar o tempo, para minha prpria diverso e de alguns familiares e amigos. O projeto era um exerccio catrtico, seguindo a histria de um certo jovem bruxo bem famoso... no to famoso quanto seu pai (formando assim a natureza do primeiro problema desse bruxinho) mas, famoso entretanto. Para minha surpresa, o projeto literrio se transformou num romance completo. De brincadeira lancei a histria na internet. L, espantosamente, ela alcanou um surpreendente pblico leitor no mundo todo. E isto, claro, levou a uma seqncia. Com o lanamento da seqncia, descobri umas coisas interessantes: ao mesmo tempo em que eram baseadas na trama de outra autora famosa, estas historias vieram a abranger uma enorme quantidade de conceitos e personagens originais. Eu percebi com certo contento que havia uma trama totalmente nova embutida ali, e essa seria unicamente a minha trama. Assim, embarquei num projeto literrio totalmente novo: separei-me do tronco da idia original e transplantei alguns de meus prprios e nicos galhos nesta nova histria. Este, caro leitor, o resultado desta experincia. Ento o que isto significa para voc? Bem, h dois modos para voc escolher como quer se juntar a esta histria: Primeiro, uma vez que este conto , de muito modos, uma progresso lgica dos meus dois primeiros romances, voc pode escolher l-los primeiro. Voc pode encontr-los online no site www.jamespotterseries.com. L voc ir encontrar as histrias por detrs dos personagens aqui contidos, o que lhe permitir apreciar este conto em uma escala mais ampla. Segundo, voc pode escolher navegar por esta histria como uma entidade prpria. Ela foi escrita para ser autnoma, mesmo que muito da histria preliminar exista em outro lugar. As lutas, conceitos e idias que compem a essncia desta histria, enquanto fantsticas e mgicas (e bem sombrias) sero familiares para muitos dos leitores, mesmo se ainda no tiverem lido os nomes dos personagens antes. Se voc escolher ler a histria por si mesma, ser de grande ajuda (embora no necessrio) estar ciente de algumas coisas: primeiro, nossa personagem principal, a adolescente Srta. Morganstern, membro da sociedade mgica secreta que co-existe lado a lado com o mundo no-mgico. Segundo, ela teve um ltimo ano escolar bem incomum, durante o qual ela foi o centro de uma chocante conspirao tramada por parte de bruxos bem desviados. Os detalhes de tal conspirao sero conhecidos medida que a histria for progredindo, mas o resultado essencial do compl que: a Srta. Morganstern descobriu que estava amaldioada com o ltimo fragmento fantasma do mais terrvel bruxo de todos os tempos. Como uma chama em uma lamparina, este fragmento de alma malvolo vive dentro de sua prpria alma, afetando-a, influenciando-a. Com isso, Petra no diferente de todo ns, amaldioados como estamos com a natureza dbia de nossa humanidade, constantemente em conflito entre duas polaridades, luz e escurido, bondade e egosmo. 5. E esta, caro leitor, a histria da histria. Eu espero que voc aprecie este pequeno conto de fadas sombrio. Se o fizer, avise-me. Talvez gere algum fruto. Fique de olho na gua. Alguma coisa com certeza sair dela. 6. CAPTULO UM Petra acordou com os primeiros raios de sol da manh que vieram atravs de suas cortinas esfarrapadas, pintando listras douradas pela cama e pelas sujas e principalmente desnudas paredes. Durante um momento, as faixas douradas do sol transformaram o lugar em algo tranqilo e alegre. Isso simplesmente fez com que Petra ficasse um pouco triste enquanto jazia em sua cama, pestanejando lentamente, seu cabelo escuro espalhado aleatoriamente sobre seu travesseiro, porque ela sabia que no era uma imagem autntica. Ainda assim, foi um momento agradvel. Ela tentou desfrutar esse momento, antes que comeasse a desagradvel confuso matinal. Ouviram-se passos surdos do lado de fora da porta do seu quarto, que no estava totalmente fechada. Uma sombra se moveu na penumbra do corredor. Petra sorriu ligeiramente. Petra sussurrou a voz de uma menina. Eu deixei a Beatriz no seu quarto. Posso entrar pra peg-la? Petra suspirou e rolou de costas, apoiando-se no cotovelo. Sim entre. Em silncio, por favor. Eu sei replicou a menina, ainda cochichando. Abriu a porta lentamente, tentando evitar o ranger, mas ela rangeu ainda mais. O sorriso triste de Petra ficou um pouco maior enquanto a observava. A menina tinha cabelos dourados e traos plidos, apesar de sua face e nariz serem bronzeados. Lentamente, se arrastou para o interior do quarto, explorando o cho, com o olhar srio. Havia roupa da boneca espalhada sobre o assoalho sem tinta, perto dos ps da cama. A menina espiou um pouco e seus olhos se abriram. Agachou-se, desaparecendo atrs do p da cama e reaparecendo um momento depois com uma pequena boneca manchada de barro aferrada contra o peito. Estava preocupada com ela sussurrou a menina, baixando o olhar para a boneca entre seus braos. Ela no gosta de ficar sozinha noite. Quer dormir comigo. A esqueci depois que estvamos jogando ontem noite, mas tentei enviar-lhe pensamentos felizes, porque no podia voltar para peg-la noite. Eu disse-lhe em meus pensamentos que tudo iria ficar bem e que no tivesse medo, e que voltaria para ela de manh. E no que funcionou, voc v? Agora ela est feliz. A menina girou a boneca, mostrando para Petra o grande sorriso que estava estampado no rosto da boneca. Petra concordou com a cabea divertidamente. Ela est feliz, pois sua me lhe ama muito. Com o que teria que se preocupar? Mas agora melhor que a leve para seu quarto antes que sua me te escute. Se souber que j estamos acordadas... Posso ser realmente silenciosa declarou a menina gravemente. Olhe. Com um cuidado exagerado, a menina comeou a sair na ponta dos ps do quarto, levantando os ps furtivamente como se tivesse andando sobre minas. Petra no pde evitar sorrir. Ento na porta, a menina se deteve e girou. Essa noite outra vez, Petra? Antes que as luzes se apaguem? Voc ser Astra dessa vez e o Seu Bobo pode ser Treus. Eu serei a Bruxa do Pntano, t? Petra sacudiu a cabea, mais como mostra de diverso do que como negao. 7. Voc no se cansa dessa histria, Isa? 8. A menina sacudiu sua prpria cabea vigorosamente. Antes que as luzes se apaguem disse ela de novo, fazendo Petra prometer. Um momento depois se fora, e foi notavelmente silenciosa enquanto se arrastava de volta para o seu prprio quarto. Abaixo, Petra podia ouvir a agitao e os resmungos na cozinha. No demoraria muito antes que Flis chamasse Petra e Isa, anunciando aos gritos o comeo do dia. Se acontecesse isso, as coisas comeariam mal, Flis gostava de seguir um horrio, e se tivesse que chamar as duas meninas para que descessem, isso era sinal que j iriam retardar todo o dia. Flis odiava ficar ociosa, como chamava. Odiava os vagabundos, era assim que chamava quando Isa jogava ou explorava. Flis no era a me de Petra, no era sua av, que morrera anos atrs. Flis nem sequer era bruxa. Era, no obstante, a esposa do av de Petra, e era, apesar de todas as aparncias, a me de Isa. Suspirando, Petra tirou as pernas da cama e cruzou o cho at o armrio, desfrutando dos seus ltimos minutos de quietude e dos brilhantes raios do sol que passavam alegremente pelas cortinas esfarrapadas, como se cassem em um lar feliz e em uma menina feliz. Petra no era uma menina muito feliz. Quando ainda estava escolhendo a roupa, o sonho da noite rodeava a sua cabea, escuro e zunindo, como uma nuvem de moscas. Ela tinha o sonho quase todas as noites agora, e a questo era que estava quase se acostumando com ele. Nem sequer era um sonho na realidade, eram recordaes reproduzidas uma atrs da outra, como uma zombaria. Nele, Petra via a sua prpria me, sua me biolgica, a que nunca tinha conhecido. A me do sonho sorria, e era o mesmo sorriso triste que a prpria Petra fazia com freqncia quando olhava para a sua meia-irm Isa. No sonho, Petra ouvia sua prpria voz gritar Sinto muito, mame! e em cada vez, a Petra do sonho tentava afogar a Petra da recordao para cortar essa declarao, para anul-la. Como sempre, ela no podia, e quando a voz da Petra da recordao soava, a figura da sua me se desintegrava. Desfazia-se como uma escultura de gua, dilatando sobre si mesma e derramando-se sobre o solo, traando um curso at o ondeante poo de gua esverdeada, onde Petra sabia que nunca reapareceria. A Petra do sonho tentava gritar de angstia e desespero, mas no podia emitir som algum. No sonho, saindo da escurido, outra voz falava ao invs disso. Era