A escrita no Palabras clave: pensamento de Vil©m Flusser .Vil©m Flusser Carmem PRATA1...

A escrita no Palabras clave: pensamento de Vil©m Flusser .Vil©m Flusser Carmem PRATA1 Resumo: Este
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    Revista Brasileira de Histria da Mdia (RBHM) - v.4, n.2, jul./2015 - dez./2015 - ISSN 2238-5126

    A escrita no pensamento de Vilm Flusser

    Carmem PRATA1

    Resumo: Este artigo tem a inteno de explorar o tema da escrita, destacando o ponto de vista do filsofo e terico da mdia Vilm Flusser. A comunicao escrita tomada como objeto para compreenso do homem e da socie-dade, diante do processo de digitalizao de contedos. Entende-se que percorrer o universo terico das mdias caminho obrigatrio para pesquisadores do campo da comunicao, em tempos de produo, armazenamento, distribuio e consumo de contedos culturais realiza-dos prioritariamente nos ambientes digitais. A partir da, identifica-se em Flusser, e em alguns dos autores com os quais seu pensamento dialoga, uma tenso entre a mate-rialidade e a produo de subjetividades.

    Palavras-chave: 1. Comunicao escrita; 2. Livro e cul-tura letrada; 3. Livro e mdia

    A escritura y el pensamiento de Vilm Flusser

    Resumen: Este artculo pretende abordar el tema de la es-critura, destacando el punto de vista del filsofo y terico de los medios Vilm Flusser. La comunicacin escrita se toma como objeto para la comprensin del hombre y la sociedad, ante del proceso de impresin digital de con-tenidos. Se entiende que conocer el universo terico de los medios es paso obligado para los investigadores del campo de la comunicacin en tiempos de produccin, al-macenamiento, distribucin y consumo digitales. A partir de ah, se identifica en Flusser, y algunos de los autores con los cuales se relaciona su pensamiento, una tensin entre la materialidad y la produccin de subjetividad.

    1 Mestranda do Programa de Ps-Graduao em Comunicao da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). integrante do Laboratrio de Pesquisas em Tecnologias de Comunicao, Cultura e Subjetividade (LETS), que rene grupos de pesquisa, incluindo Livros e Cultura Letrada e Comunicao, sob a coordenao do prof. Dr. Mrcio Souza Gonalves. Possui MBA em Gesto de Bens Culturais, pela Fundao Getulio Vargas (FGV-SP, 2010). graduada em Comunicao, com habilitao em Jornalismo, pela Faculdade de Comunicao Helio Alonso (FACHA, 1987). Hoje, como bolsista Proatec, colabora na Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, na Assessoria de Comunicao e Projetos. E-mail: cprata6@gmail.com

    Palabras clave: comunicacin escrita; Libro e cultura letrada; 3. Libro e medios.

    IntroduoO tema das Tecnologias de Informao e Comu-

    nicao (TIC) abre um leque de questes para o entendi-mento das produes culturais na atualidade. Vimos que as fronteiras entre produo, distribuio e consumo de contedos culturais foram rompidas com a convergncia de diferentes mdias. Mudanas so percebidas na prxis das comunicaes e da cultura, a exemplo do j clssico caso da msica, no qual nem todo o aparato da inds-tria fonogrfica interrompeu o processo de digitalizao. Pelo contrrio, incentivou novos modelos de distribui-o, novos modos de produzir e de ouvir msica.

    Estreitando o olhar para a comunicao escri-ta, observamos que ela representou um salto no desen-volvimento das sociedades modernas. Se contraposta tradio oral, teria permitido a fixao e a difuso do conhecimento, por meio da sistematizao do pensamen-to, naquilo que hoje denomina-se como cultura letrada. Por seu uso em diferentes suportes, desde a Antiguidade: tbuas de argila, rolos de papiro ou pergaminhos, cdices e, mais recentemente, livros e dispositivos eletrnicos, o tema da escrita est ligado, tambm, a esses artefatos.

    O aperfeioamento da prensa e a tipografia per-mitiriam a reproduo de um nmero maior de textos, em menor tempo e a um custo menor, o que caracteri-za a expanso da comunicao escrita a partir do sculo XV. Alguns estudiosos consideram que, embora os li-vros impressos circulem mais entre os mais privilegiados socialmente, ainda assim, circulam bem mais do que cir-culavam os cdices. De forma que, a inveno da tipo-grafia representa sem sombra de dvida uma verdadeira revoluo democrtica. (CARRIERE e ECO, 2009, p. 106).

    Recorremos a uma simplificao sobre as mu-danas percebidas na forma escrita de comunicao, para oferecer uma noo do ritmo acelerado das inovaes, especialmente verificada nos dias de hoje. Dispostas cro-nologicamente, dos primeiros sinais da escrita, identifica-dos nas antigas civilizaes, at os cdices foram decor-ridos pouco mais de trs mil anos; do cdice aos tipos mveis, cerca de mil anos; dos tipos mveis internet, 500 anos; da internet web, 11 anos; da web ao algorit-mo de relevncia do Google, oito anos. (DARNTON, 2010).

    Na busca por matizes que permitam avanar no universo da comunicao escrita, encontramos o pensa-mento do filsofo Vilm Flusser. A escrita vista aqui como objeto de estudo para compreenso do homem

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    e da sociedade. Entendemos que percorrer o universo terico das mdias um caminho imperativo para pes-quisadores do campo da comunicao, em tempos de produo, armazenamento, distribuio e consumo de contedos culturais realizados prioritariamente nos am-bientes digitais.

    A escrita por Vilm Flusser um exerccio de metaescrita

    O filsofo e terico da mdia Vilm Flusser (1920-91) tem sua obra apresentada pelo historiador Mark Poster, no livro Into the Universe of Technical Images (2011), como crucial para o entendimento dos proces-sos de interao entre o homem e a mquina. Flusser destacado, entre os pensadores do sculo XX, por suas anlises a cerca dessas inter-relaes, fundamentando a construo do que o terico chamou de comunicolo-gia2, uma teoria da comunicao ou uma cincia da m-dia.

    Vilm Flusser viveu no Brasil por mais de 30 anos (1940-72), onde lecionou na Universidade de So Paulo (USP) e na Fundao Armando Alvares Penteado (FAAP), nas disciplinas de filosofia e teoria da comunica-o. Elementos da cultura, como imagem, udio e texto, so vistos na obra desse autor tcheco, naturalizado bra-sileiro. Entretanto, seus estudos so relativamente des-conhecidos pela maioria dos pesquisadores deste pas, exceo do ttulo Filosofia da Caixa Preta - Ensaios para uma futura filosofia da fotografia (1985).

    Ao deter-se sobre o tema da escrita, Flusser des-taca uma outra funo que no somente a de sistematizar o pensamento, mas de levar nossas ideias em direo ao outro, ao leitor-receptor. Escrever, ento, torna-se um gesto no apenas reflexivo e interior, mas um gesto ex-pressivo, voltado para o exterior e, portanto, uma prtica comunicacional. Para esse autor, h

    tambm um feedback entre a tcnica e o homem ou uma conscincia em transformao.

    A escrita vista pelo filsofo Vilm Flusser como uma arte, que articula e produz um estado da men-te chamado de conscincia histrica. Para ele, a histria comea com a inveno da escrita, no apenas porque a escrita nos permite reconstituir o passado, mas porque o mundo s percebido como um processo quando con-

    ceituado pelo texto escrito. De maneira que:

    2 A comunicologia pode ser descrita como uma teoria da comuni-cao, desenvolvida por Flusser, a partir de um conjunto de anlises das comunicaes humanas e das suas estruturas. O termo comu-nicologia traduz o ttulo do livro Kommunikologie , publicado em alemo em 1998.

    A diferena entre a pr-histria e a his-tria no posta pelos documentos escritos, que nos permitem ter conhe-cimento posterior ao fato, mas porque a histria construda por homens le-trados que experimentam, entendem e avaliam o mundo em processo, conside-rando o pensamento sobre a existncia, o que no seria possvel na pr-histria.3. (FLUSSER, 2002, p.63).

    Assim, a escrita teria institudo o acontecimento. Antes dela, nada teria acontecido, as coisas apenas ocor-reriam.

    Tbuas de argila, canetas esferogrficas, m-quinas de escrever e processadores de textos so vistos como canais que conduzem o pensamento histrico-dis-cursivo, (...) das imagens para os conceitos, das cenas para os processos.(FLUSSER, 2010, p.36-37).

    A escrita na Antiguidade - a imagem desdobra-da em linhas

    Examinando as cermicas da Mesopotmia, Vi-lm Flusser observa que os smbolos da escrita cuneifor-me procuravam interpretar a imagem que eles acompa-nhavam. Assim, a escrita em sua gnese vai explicar, recontar e dizer a imagem; e faz isso como se es-tivesse rompendo a superfcie da imagem em linhas de um texto, tornando explcito o que estava implcito. (FLUSSER. 2002, p.64).

    Logo, para esse autor, o propsito original da escrita foi o de transcodificar cdigos bidimensionais, de tal forma que a traduo das imagens em linhas implicou em uma mudana radical de sentido.

    O olho que decifra uma imagem varre a superfcie, estabelecendo relaes rever-sveis entre os elementos que compem a imagem, ou seja, indo e voltando en-quanto decifra a imagem. Essa reversi-bilidade das relaes, essa pluralidade de movimentos e sentidos, que prevalece dentro da imagem, emprestam certas caractersticas queles que usam as ima-gens para compreender o mundo, aque-les que imaginam. (FLUSSER, 2002, p.64).

    3 Todas as tradues apresentadas ao longo deste texto so livre tra-duo da autora.

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    Essa condio de circularidade do pensamento comparada ideia nietzschiniana de tempo cclico, do eterno retorno, como o dia seguido da noite e a noite seguida do dia (...). J com a escrita, o olho segui-ria em uma direo ordenada pelos elementos do texto. Assim, aqueles que usam os textos para compreender o mundo teriam desenvolvido uma perspectiva linear, onde o tempo flui de forma irreversvel, onde cada dia difere do outro, tal como os elementos do texto so distintos entre si. Para o filsofo, esse o mundo da cincia e da tecnologia, das religies e da poltica, o mundo histrico. (FLUSSER, 2002, p.64-65).

    Fl