A aprendizagem on-line através de minicursos para telecentros

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1 Capítulo 57 - A Aprendizagem On-line Através de Minicursos para Telecentros 1 [por Drica Guzzi] Se até bem pouco tempo a alfabetização era concebida como um processo de simples decodificação de letras e sons ou de produção e compreensão da escrita, podemos dizer hoje se transforma num processamento de informações. Na sociedade da informação (CASTELLS, 1999), o desempenho de tarefas requer um sujeito que saiba localizar as informações corretamente em meio a várias consultas de material impresso e digital, assim como manter essas informações guardadas enquanto pesquisa outras complementares. Portanto, saber ler e escrever atualmente envolve, além de leitura e escrita básica, análise de conteúdo, de tabelas, execução de cálculos, entre outras funções. Nesse sentido, na mesma medida em que o nível de informações foi se desenvolvendo um dos resultados dos avanços tecnológicos - o nível de exigência de habilidades básicas para atender às demandas do dia-a-dia em todos os níveis também foi aumentando. As pontes digitais na aprendizagem Embora tenha surgido há mais de três décadas, a Internet teve sua expansão acelerada com o surgimento do navegador gráfico, em 1993, mas sua popularização ocorre a partir da segunda metade da década de 90. (HARGITTAI, 2003). Desde então, termos como Exclusão Digital, Inclusão Digital, Brecha Digital, Fosso Digital, Barreira Digital, Desigualdade Digital, Analfabetismo Digital, Divisória Digital têm sido empregados para denominar sentidos semelhantes. O termo brecha digital - digital divide - foi popularizado no final dos anos 90 para referir-se ao abismo entre os que tinham e os que não tinham acesso aos computadores e à Internet. Segundo Hargittai, "desde que o National Telecommunications Information Administration publicou pela primeira vez o relatório ‘Falling Through the Net: A Survey of the Have Nots in Rural and Urban America’ em 1995, muitas análises foram realizadas sobre as desigualdades de acesso e uso do meio. Inicialmente, entretanto, o foco principal era a relação binária entre acesso e não acesso, refletindo o entendimento superficial que se tinha sobre a relação da Internet com mudanças econômicas e sociais. (WARSHAUER, 2003). Randall (WARSHAUER, 2003) também desenvolve um outro termo para descrever aqueles que têm acesso à informação e aqueles que não têm ( digital haves e digital have nots ), trazendo um entendimento mais processual que vai da exclusão digital até a oportunidade digital ( from digital divide to digital opportunity ). Já Silveira (2003, p. 33) define inclusão digital como a universalização do acesso ao computador conectado à Internet, bem como ao domínio da linguagem básica para manuseá-lo com autonomia . 1 No início do Programa de Inclusão Digital do governo paulista optou-se pela designação Infocentro em vez de Telecentro , o qual acabou sendo mais utilizado por outros programas de Inclusão Digital no Brasil. Hoje os Infocentros de São Paulo também são conhecidos como Postos AcessaSP. Para efeito deste artigo, contudo, utilizou-se apenas o termo Infocentro.

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Capítulo 57 : A Aprendizagem On-line Através de Minicursos para Telecentros

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Capítulo 57 - A Aprendizagem On-line Através de Minicursos para Telecentros1

[por Drica Guzzi]

Se até bem pouco tempo a alfabetização era concebida como um processo de

simples decodificação de letras e sons ou de produção e compreensão da escrita, podemos

dizer hoje se transforma num processamento de informações. Na sociedade da informação

(CASTELLS, 1999), o desempenho de tarefas requer um sujeito que saiba localizar as

informações corretamente em meio a várias consultas de material impresso e digital, assim

como manter essas informações guardadas enquanto pesquisa outras complementares.

Portanto, saber ler e escrever atualmente envolve, além de leitura e escrita básica, análise

de conteúdo, de tabelas, execução de cálculos, entre outras funções.

Nesse sentido, na mesma medida em que o nível de informações foi se

desenvolvendo – um dos resultados dos avanços tecnológicos - o nível de exigência de

habilidades básicas para atender às demandas do dia-a-dia em todos os níveis também foi

aumentando.

As pontes digitais na aprendizagem

Embora tenha surgido há mais de três décadas, a Internet teve sua expansão

acelerada com o surgimento do navegador gráfico, em 1993, mas sua popularização ocorre

a partir da segunda metade da década de 90. (HARGITTAI, 2003). Desde então, termos

como Exclusão Digital, Inclusão Digital, Brecha Digital, Fosso Digital, Barreira Digital,

Desigualdade Digital, Analfabetismo Digital, Divisória Digital têm sido empregados para

denominar sentidos semelhantes.

O termo brecha digital - digital divide - foi popularizado no final dos anos 90 para

referir-se ao abismo entre os que tinham e os que não tinham acesso aos computadores e à

Internet. Segundo Hargittai, "desde que o National Telecommunications Information

Administration publicou pela primeira vez o relatório ‘Falling Through the Net: A Survey

of the Have Nots in Rural and Urban America’ em 1995, muitas análises foram realizadas

sobre as desigualdades de acesso e uso do meio. Inicialmente, entretanto, o foco principal

era a relação binária entre acesso e não acesso, refletindo o entendimento superficial que se

tinha sobre a relação da Internet com mudanças econômicas e sociais”. (WARSHAUER,

2003).

Randall (WARSHAUER, 2003) também desenvolve um outro termo para descrever

aqueles que têm acesso à informação e aqueles que não têm ( digital haves e digital have

nots ), trazendo um entendimento mais processual que vai da exclusão digital até a

oportunidade digital ( from digital divide to digital opportunity ).

Já Silveira (2003, p. 33) define inclusão digital como a universalização do acesso

ao computador conectado à Internet, bem como ao domínio da linguagem básica para

manuseá-lo com autonomia .

1 No início do Programa de Inclusão Digital do governo paulista optou-se pela designação Infocentro em vez

de Telecentro , o qual acabou sendo mais utilizado por outros programas de Inclusão Digital no Brasil. Hoje

os Infocentros de São Paulo também são conhecidos como Postos AcessaSP. Para efeito deste artigo, contudo,

utilizou-se apenas o termo Infocentro.

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Atualmente, a brecha digital é percebida e estudada de forma mais complexa do que

a simples diferença do acesso ou não à tecnologia (WARSHAUER) ou a oposição entre ser

ou não capaz de utilizá-la (HARGITTAI).

Segundo Warshauer, a inclusão digital pode ser pensada a partir de três modelos: do

ponto de vista do aparelho (device) ou terminal, do ponto de vista do serviço

(conectividade), e do ponto de vista das competências para sua utilização,

. O ponto em comum que une todas essas tentativas de definições do que seja

Inclusão Digital é a visão de que é algo mais do que simplesmente acesso às TICs ou

especialmente acesso à Internet.

A aprendizagem na rede: falta ou excesso de informação?

Mesmo que seja real a idéia de que o domínio da informática constitua um

diferencial na disputa por um emprego, nesse ponto a inclusão pode se transformar numa

ilusão. Caso um sujeito não saiba desenvolver uma sentença, não vai conseguir trabalho

mesmo com diploma de um curso de informática.

Não se está dizendo com isso que a inclusão digital não aumente as chances na vida

de alguém em detrimento daqueles que não dispõem da Internet, mas que apenas isso não

basta como uma verdade numa relação de causa e efeito.

Conforme destaca Castells (2000), a questão principal é a capacidade educativa e

cultural de se usar a Internet. Mesmo que toda informação possa estar na rede, trata-se antes

de saber como buscá-la, como transformá-la em conhecimento específico para se fazer

aquilo que se quer fazer. É essa capacidade de aprender a aprender; essa

capacidade de saber o que fazer com que se

aprende; essa capacidade é socialmente desigual

e está ligada à origem social, à origem familiar,

ao nível cultural, ao nível de educação. É aí que

está, empiricamente falando, a divisória digital

nesse momento. (CASTELLS, 2003, p. 367)

Assim, um dos maiores desafios encontrados na concepção dos programas de

inclusão digital tem sido o desenvolvimento de pesquisas e práticas de educação à distância

(EAD), capazes de propiciar o acesso de grandes parcelas da população com menos poder

aquisitivo aos benefícios do ensino formal e não-formal de qualidade, compatíveis com os

desenvolvimentos técnicos e pedagógicos da era digital.

É também dentro dessa perspectiva que surge no Brasil o primeiro programa de

inclusão digital, o Acessa SP, em 2000, pelo Governo do Estado de São Paulo. Este

programa, que conta com a parceria da Escola do Futuro da USP, através do Laboratório de

Inclusão Digital e Educação Comunitária – LIDEC – implementa centros comunitários de

acesso e produção de informações, designados Infocentros2, em regiões habitadas por

populações de baixo poder aquisitivo (classes D e E).

Infocentros como locais de aprendizagem aplicada

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Para a execução inicial desse programa de inclusão digital em São Paulo foram

desenvolvidos três tipos de Infocentros, também chamados hoje de Postos Acessa SP:

a) Os Infocentros Comunitários - implantados em áreas de baixa renda na região:

metropolitana da cidade de São Paulo, criados em parceria com entidades das comunidades

atendidas;

b) Os Infocentros Municipais: criados em parceria com prefeituras paulistas; e

c) Postos Públicos de Acesso à Internet (POPAIs): criados em parceria com órgãos

do próprio governo do estado, onde há grande fluxo de pessoas (postos Poupatempo,

Restaurantes Bom Prato, terminais de ônibus da EMTU, Secretaria da Juventude, entre

outros).

Partindo-se da premissa de que inclusão digital vai além do computador e do acesso

à Internet desenvolveu-se uma série de contextos e conteúdos que facilitassem o

desenvolvimento de habilidades e o processo de construção de conhecimentos utilizando-se

dos recursos digitais disponíveis (multimídia, hipertextos etc)

Nesse sentido é possível dizer que uma das diretrizes relevantes no Acessa SP diz

respeito tanto ao foco no usuário quanto à utilização dos recursos de aprendizagem on-line

nos Infocentros.

Essas diferenças revelam que a procura por cursos rápidos on-line, que no caso do

Portal Acessa são chamados de Minicursos, é feita não exatamente pelo perfil padrão dos

usuários dos Infocentros, mas por aqueles que buscam esse tipo de formato de

aprendizagem. A flexibilidade dos Minicursos, o fato de estarem abertos e disponíveis para

qualquer pessoa, em qualquer tempo e lugar, além da escolha dos temas claramente

aplicáveis no dia-a-dia são também fatores atraentes para que outros internautas,

provenientes de diferentes contextos, queiram aprender através das lições e atividades

propostas por esse tipo de curso.

De acordo com os dados mais recentes em relação ao perfil do usuário freqüentador

do Infocentro – Ponline 20063, há uma dinâmica de transformação que vem sendo

observada por muitos pesquisadores.

Por esta pesquisa, o perfil predominante do usuário nesse programa revela jovens

paulistas na Web, como produtores e receptores de conteúdo multimidiático, que

escolheram a Internet como principal ferramenta de comunicação em suas vidas cotidianas

www.ponlines.futuro.usp.br. A pesquisa mostra também que o usuário dos Infocentros é

mais jovem (somando as duas faixas etárias mais jovens, obtemos 52%, ou seja, mais da

metade dos usuários do Acessa SP têm até 19 anos) e a sua renda familiar vem reduzindo

nos últimos anos (83,6% dos usuários têm renda familiar até 4 SM sendo que 53,3% têm

renda familiar de até 2 SM). Esse tipo de jovem freqüenta os postos de duas a três vezes por

semana; busca uma conexão rápida e interessa-se por conhecer novos programas. Para ele,

os Infocentros deveriam ter mais acessórios disponíveis - sobretudo de multimídia.

3 Como parte do Programa Acessa São Paulo, anualmente realiza-se uma pesquisa on-line – Ponline - nos

Infocentros, criada e desenvolvida com o intuito de determinar sistematicamente o perfil dos usuários dos

Infocentros, o impacto da Internet na vida pessoal e comunitária e a avaliação do programa de inclusão digital

do Governo no Estado de São Paulo. Essa pesquisa consiste num instrumento utilizado pelos gestores do

Acessa para produzir informação sistematizada e conhecimento sobre o processo de inclusão digital e seus

atores sociais, promovendo a democratização desse conhecimento. A Ponline 2006 contou com 8113

respondentes de todo o Estado de São Paulo.

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Público-alvo dos Minicursos

Os Minicursos, como o nome diz, são cursos de curta duração, que visam difundir

conteúdos importantes e dar apoio à cultura de educação popular à distância. Por esse

método, via Internet, o participante tem acesso livre a variados assuntos. Dependendo do

tema, o curso pode ter um mínimo de três aulas e um máximo de cinco. Ao final de cada

aula há um questionário a ser respondido para que o aluno possa conferir seu aprendizado.

Além desse questionário, há a Lição de Casa, com propostas de exercícios referentes ao

tema apresentado.

Um fato interessante e revelador surge quando comparamos o perfil dos usuários

dos postos públicos de acesso à Internet, os Infocentros, e dos alunos que fazem os

Minicursos do portal Acessa SP.

A divisão entre homens e mulheres é mais equilibrada , mantendo-se o padrão de

mais homens (58,2%) do que de mulheres (41,8%); a escolaridade é marcadamente

diferente sendo que os usuários dos Minicursos possuem, em sua maioria, maior índice de

escolaridade (58,2 % possuem nivel superior (completo ou incompleto)) do que os usuários

de Infocentros, que em sua maioria possuem o ensino médio (56,8%). Isso reflete também

na idade média dos usuários que para os dos Minicursos é mais elevada (30 anos) e menor

nos Infocentros (em média 20 anos).

Além disso, um outro fator indicado pela pesquisa de 2006 diz respeito a uma

grande defasagem de atendimento às mulheres, o que pode ser observado na série histórica

relativa ao gênero. Conforme foi avaliado, a relação das mulheres com a tecnologia é um

tema cada vez mais presente em estudos culturais, cujas conclusões têm criado subsídios

para políticas próprias às questões de gênero.

Outro dado da Ponline 2006 dá conta de que 46,5% dos usuários pesquisados

afirmaram ter aprendido a usar a Internet sozinhos, o que é bastante relevante para maiores

investimentos em termos de conteúdo e estratégias de aprendizagem a distância pela e para

comunidade nos Infocentros. Hoje o Acessa SP possui mais de um milhão de pessoas

cadastradas com mais de 23 milhões de atendimentos realizados (sessões de acesso de meia

hora) nos 406 postos de acesso com Internet instalados na capital e em outras cidades do

estado de São Paulo.

Esses dados, quando relacionados com as possibilidades geradas pela ampliação dos

Minicursos e seu caráter de utilidade pública revelam a vocação dos Infocentros como

lugares privilegiados de aprendizagem presencial e a distancia, em benefício não só da

própria comunidade, mas em interação simultânea com outros usuários da rede, além da

apropriação dos recursos multimidiáticos, vídeos, participação em comunidades virtuais,

entre outros benefícios ligados ao próprio desenvolvimento pessoal e coletivo.

Lições simples e de utilidade pública

Embora o público alvo dos Minicursos não tenha sido exclusivamente o do usuário

do Infocentro, já que qualquer pessoa pode acessar o seu conteúdo, para efeito de seleção

dos temas escolhidos, na época, considerou-se o universo dos usuários dos Infocentros

Comunitários. Por exemplo: quantos jovens, na busca pelo primeiro emprego, não tiveram

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de ir atrás de um vizinho, parente ou pai da namorada para dar o nó numa gravata ou de

alguém para fazer um currículo?

Assim, no decorrer das conversas iniciais entre a equipe do LIDEC (na época

CIDEC), os monitores e membros da comunidade4, surgiu a noção de que as lições fossem

muito próximas da realidade do cotidiano dos moradores da comunidade do Infocentro,

como um motivo de bate-papo no ônibus, na escola, no botequim ou na rua entre vizinhos.

Foram eleitos então seis primeiros temas para os Minicursos: Segurança Pessoal; Doces

sem açúcar; Dengue – uma guerra a ser vencida; Etiqueta na Internet; Como fazer

um currículo e Como fazer nós na gravata. Cada minicurso foi dividido em até cinco

aulas ou lições curtas (módulos), com aproximadamente quinze minutos de duração5. No

final de cada lição, há um teste para verificar o aprendizado e, caso o aluno precise de mais

informações, encontra uma sessão de links específicos sobre cada tópico (Saiba Mais), com

endereços de entidades afins, dicas e referências de livros.

4 Equipe do CIDEC responsável pelos Minicursos e colaboradores (maio/2002): Fredric M. Litto (supervisão

científica), Carlos Seabra (coordenação editorial e pedagógica), Drica Guzzi (coordenação de pesquisa e

produção), Virginia Mancini Guedes, Mariana Rillo Otero, Avelino Guedes, Rodrigo Fernandes de Almeida,

Verônica Costa, Adilson Virno, Akira Shigemori, Alda Ribeiro, Carolina Borges, Clara Meyer Cabral e

Simone Freitas (maio de 2002). 5 Como norma de funcionamento dos Infocentros, cada usuário recebe uma senha com a qual pode utilizar o

computador por trinta minutos a cada vez (por acesso). As lições levaram em conta esse tempo de utilização,

computando uma média de quinze minutos para cada uma.

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Através do Minicurso Dengue - uma guerra a ser vencida, o usuário aprende a

identificar o mosquito transmissor da doença, os locais preferidos para a postura dos ovos e

as formas de se defender da proliferação do aedes aegypti. Nas lições de fácil compreensão,

por exemplo, é possível ver que o mosquito é escuro, rajado de branco e menor do que um

pernilongo comum. Mas, essencialmente, a lição mostra como erradicar os focos da doença.

Já o curso Segurança Pessoal ensina como agir diante de assaltos para não colocar

em risco a integridade física; quais os documentos devem ser transportados com a pessoa e

quais devem ser deixados em casa; como se comportar frente a suspeitas de crimes. São

cuidados básicos que devem ser seguidos para reduzir o perigo de qualquer tipo de

violência.

Doce sem Açúcar fornece orientações principalmente a diabéticos e obesos, mas

serve muito bem para mostrar ao restante do público como evitar o consumo excessivo do

açúcar de forma a não acarretar prejuízos ao organismo humano. Há também informações

nutricionais, além de dicas e receitas.

O tema Como fazer nós de gravata tem um objetivo mais prático, principalmente

quando o uso desta peça se faz necessário em determinadas situações como, por exemplo,

nas entrevistas de emprego. Este Minicurso conta também a origem da gravata e as aulas

são ilustradas com desenhos didáticos.

Um dos cursos mais procurados é o Como preparar um currículo, que auxilia não

só na preparação do documento, mas também dá dicas de como divulgá-lo na busca por um

emprego. De maneira bem clara, informa como um candidato a uma vaga deve apresentar o

seu perfil profissional de forma sucinta e organizada.

Por fim, Etiqueta na Internet indica caminhos para se alcançar uma comunicação

mais eficiente na rede. Cada ocasião exige um comportamento e isso vale também para os

usuários da Internet.

Pesquisa com usuários em relação aos Minicursos realizados pela Escola do Futuro da

USP e AcessaSP (2002)

“É bom, mas tem muito texto”

Desde o início, o programa de inclusão digital Acessa SP mantém a preocupação de

acompanhar o desenvolvimento do perfil dos usuários freqüentadores dos Infocentros, de

acordo com os hábitos e atitudes em relação às novas tecnologias, ao impacto pessoal e

comunitário, por meio de pesquisas realizadas pela Escola do Futuro da USP.

Num caso mais específico, ou seja, para verificar como monitores e usuários dos

Infocentros estavam se relacionando com os minicursos, houve uma pesquisa direcionada

para essa finalidade com uma amostragem de usuários desses cursos on-line. Do relatório

da pesquisa realizada por Alda Ribeiro Martins, do LIDEC (durante o período de setembro

a dezembro de 2002), condensamos algumas seções que apresentamos a seguir.

Os objetivos principais dessa pesquisa consistiam em avaliar o grau de satisfação

dos usuários dos Infocentros em relação aos seis minicursos, considerando-se a Linguagem

– texto (estrutura, qualidade, quantidade, coesão); o Conteúdo ― qualidade e quantidade,

apropriação das informações e a Navegabilidade - legibilidade (quantidade e qualidade das

ilustrações, links e ícones).

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Para a realização dessa pesquisa optou-se por uma amostragem que abarcasse

diferentes perfis de usuários assíduos freqüentadores dos Infocentros, alfabetizados e com

conhecimentos básicos de navegação na Internet.

Houve duas etapas da pesquisa. Na primeira etapa, de acordo com Alda Ribeiro,

foram utilizados dados coletados por entrevista (com roteiro semi-estruturado) e a

estratégia de pesquisa de campo denominada observação participante6.

Primeiramente foram entrevistados vinte e seis usuários: dezoito homens, na faixa

etária de 14 a 22 anos e oito mulheres, na faixa de 13 a 31 anos. Na segunda etapa da

pesquisa foram realizados quatro Estudos de Caso, com quatro homens, na faixa etária de

14 a 18 anos, dos quais selecionamos dois deles para ilustrar este artigo.

Primeira etapa

A equipe de fomento à participação comunitária, a partir de critérios de avaliação de

desempenho, indicou três Infocentros para a pesquisa de campo: Turma da Touca, com

excelente desempenho; Pétalas de Amor, com médio desempenho e Infância Feliz, com

baixo desempenho7.

Nesses locais, os usuários foram escolhidos por terem as seguintes características:

nível de freqüência no Infocentro; se possuíam conhecimentos básicos de Internet e

endereço eletrônico (e-mail) e idade acima de 13 anos. Nessa primeira fase da pesquisa não

houve a exigência do usuário ter feito algum minicurso.

Com o usuário selecionado, a pesquisadora diante da tela do computador indicava o

endereço do site do minicurso e, em seguida, passava as instruções básicas para a execução

da atividade proposta. Os temas foram escolhidos pelos próprios usuários, sem

interferência da pesquisadora e limitação de tempo.

Roteiro de perguntas da primeira etapa da pesquisa

Houve um roteiro básico de perguntas, adequando-se às características do tema

escolhido e às habilidades pessoais e técnicas:

Por que você escolheu esse tema?

O que você achou do minicurso?

O que você achou da linguagem (textos)?

Você leu todos os textos?

Por quê?

Quais são as informações que você lembra ter lido?

6. “[...] a observação participante é uma estratégia de campo que combina simultaneamente a análise

documental, a entrevista de respondentes e informantes, a participação e a observação direta e a

introspecção”, segundo ‘Pesquisa em educação: Abordagens Qualitativas – Menga Lüdke e Marli D. A

André, São Paulo: EPU, 1986’. [Nota da pesquisadora Alda Ribeiro]. 7 Os nomes dos Infocentros correspondem aos nomes das entidades comunitárias parceiras.O desempenho do

Infocentro era resultado de uma somatória de parâmetros tais como: taxa de atendimento mensal, taxa de

cadastro mensal, taxa de ocupação mensal, avaliação do usuário (medida na pesquisa anual Ponline),

participação dos monitores nas capacitações, comprometimento da liderança local e criação de projetos na

rede.

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Como você fez o minicurso (se passeou pela página, viu os links, ilustrações,

leu e, em seguida, respondeu às questões)?

Você teve alguma dificuldade enquanto fazia o minicurso?

Qual (is)?

E o que você fez?

Você teve alguma dificuldade para responder os questionários?

Qual (is)?

E o que você fez?

Você entrou em algum link além do questionário?

Qual?

O que você achou?

O que você achou das ilustrações / desenhos?

Você lembra de alguma?

O que você aprendeu vai poder usar no seu dia-a-dia?

Qual seria outro tema, além desses que já estão no ar, que você gostaria de

fazer como um minicurso?

Aproximação de usuários e minicursos

A primeira etapa da pesquisa foi realizada entre os meses de setembro a outubro de

2002. Nesse momento, foram realizadas várias reuniões tanto com usuários quanto com

monitores, visando mais especificamente maior aproximação no relacionamento dos

usuários com os minicursos.

Não foram delineados nessa fase resultados conclusivos. Entretanto, é importante

ressaltar que a atuação dos monitores8 influenciava na apropriação dos conteúdos

disponíveis e no programa Acessa SP, de modo que tais conteúdos fossem usados de uma

forma proveitosa e também prazerosa ou não. Na pesquisa de campo fica evidente a

atuação do monitor em termos de organização física do local, nas conversas paralelas com

os usuários, na receptividade em relação à pesquisa etc.

Nos Infocentros que contavam com monitores mais atentos, curiosos e disponíveis

para as tarefas que lhes cabiam, os usuários demonstraram ser bem mais expressivos e

claros em suas questões. Por outro lado, em outros em que tudo era cerceado, seja pela

dificuldade de acesso, seja pela falta de segurança técnica ou ainda por falta de

comunicação entre os monitores, observaram-se dificuldades até mesmo no

estabelecimento de diálogos com os usuários. Muitos demonstraram não estar dispostos a

conversar com a pesquisadora e alguns preferiram ficar nos bate-papos virtuais.

Um aspecto interessante em relação ao conteúdo é que nenhum dos vinte e seis

entrevistados reclamou da qualidade e da importância dos textos veiculados, mas mais da

metade reclamou da ‘quantidade de textos’, da ‘distribuição do texto’. Outro dado está

relacionado ao item de navegabilidade. Os usuários que fixam mais a atenção ao texto

deixam de ‘abrir’ outros recursos da página como links, banco de dados, entre outros.

8 Cada Infocentro conta com monitores indicados pela comunidade e/ou parceiros capacitados pela equipe do

LIDEC para orientar os usuários. As lideranças comunitárias foram informadas sobre o perfil desejado para os

monitores que elas deveriam indicar. Nesse perfil, as características eram de pessoas prefencialmente maiores

de 18 anos, com conhecimentos básicos de informática, Ensino Médio, entusiasmo com ações comunitárias,

engajamento pessoal e social com a causa. Fonte: Relatório Mensal de Agosto de 2001.

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Segunda etapa da pesquisa

Após a fase inicial, foi realizado um aprofundamento da pesquisa, através do

método Estudo de Caso, considerando as observações e informações coletadas dos usuários

conforme resumimos em linhas bem gerais a seguir.

Roteiro das entrevistas da segunda etapa para o Estudo de Caso

Em relação ao texto:

Você acabou de fazer o minicurso, o que você achou da quantidade de

texto?

Você teve alguma dificuldade de entender o significado de alguma palavra?

Qual (is)?

O que você achou do tamanho da letra e da fonte utilizada?

O que você achou da distribuição do texto na página?

O que você achou da quantidade de lições?

Em relação ao conteúdo:

O que você aprendeu no minicurso?

Em relação à navegabilidade:

O que você achou das imagens/ ilustrações?

O que você quantidade de imagens / ilustrações?

Qual (is) você se lembra?é

E o que você achou das cores utilizadas?

Você lembra de algum link?

Qual (is)?

Você entrou em algum desses links?

Resumo de dois Estudos de Caso da segunda etapa

“O que é transferível, paupável e audível?”

Estudo de Caso 1 - J.C.P.A., 14 anos, estudante do Ensino Fundamental (7ª série),

morador do bairro Jd. Maria Sampaio e usuário do Infocentro Clube da Touca desde

setembro de 2002.

“Este jovem não tem computador em casa e navega pela Internet somente quando

está no Infocentro. Freqüenta o local desde setembro de 2002, de duas a três vezes por

semana, de trinta minutos a uma hora por dia.

Não lê jornais, nem revistas, mas ouve rádio (89 FM) e vê televisão todos os dias

(desenhos, novelas e às vezes dá uma olhada nas notícias do Jornal Nacional). É um

pouco tímido, não fala muito. Navega com facilidade pela Internet, abre páginas, maximiza

e minimiza, abre e manda e-mails, participa de chats, manda cartões virtuais etc.

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O ambiente do Infocentro, por sua vez, é arejado, com boa iluminação, organizado e

os monitores são agradáveis e atenciosos com os usuários. A pesquisadora chegou ao

Infocentro por volta das 13h10 e encontrou o entrevistado diante do computador. Havia

chegado com duas horas de antecedência ‘para dar uma olhada na página dos minicursos’.

No início da pesquisa ele perguntou por quê havia sido escolhido: se seria porque tinha ido

bem na pesquisa. A explicação é que estava sendo dada uma continuidade à pesquisa e ele

havia sido escolhido por ter um perfil comum à maioria dos usuários dos Infocentros (

adolescente, estudante, com conhecimentos em Internet etc.).

A pesquisadora explicou detalhadamente os objetivos da pesquisa, enfatizando que

não se tratava de nenhum ‘teste de conhecimento’. Portanto, gostaria que o usuário se

sentisse muito à vontade para fazer o minicurso da forma mais tranqüila possível.

Ele havia feito o minicurso de Currículo e dessa vez escolheu Dengue, porque “o

tema já tinha sido discutido e trabalhado na escola”.

Às 13h25 a pesquisa teve início. O usuário estava tranqüilo, acessou a página do

AcessaSP, registrou seu e-mail e senha, sem maiores problemas. O estudante passeou um

pouco pela página, observou a quantidade de texto pela barra de rolagem, mas não abriu

nenhum link, iniciando a leitura dos textos.

Ao ver as imagens do mosquito transmissor, passou o cursor em cima para ver se

havia alguma informação e logo percebeu que havia uma legenda abaixo, o que o leva a

comentar que já havia visto aquilo na escola.

Ao término da leitura do texto, passou rapidamente os olhos pela Lição de Casa,

sem imprimi-la. A pesquisadora perguntou: “Você sabe que pode imprimir esse material?

Ele respondeu: “Não, aqui não pode! Só o Currículo pode, só as duas folhas.” Clicou em

seguida no questionário e demonstrou ter pressa.9

Respondeu as questões rapidamente, à exceção da questão 2, por ter dúvidas, mas

clicou em uma das opções sem muita segurança. Entretanto, não retornou ao texto.

Não demonstrou dificuldades na leitura ou no entendimento do conteúdo, mas fixou

a atenção apenas nos textos. Em nenhum momento abriu links, imprimiu informações ou

ilustrações. Às 13h40, terminou de responder as questões da Lição 1.

Em relação ao tamanho das letras do texto, argumentou que seria “melhor aumentar

um pouquinho, porque tem gente que não enxerga direito”. Sugeriu também que “para não

cansar tanto” deveria haver “sublinhados”. [Na verdade, ele queria dizer que deveria haver

intertítulos].

Logo que terminou de responder as questões da Lição 1, o usuário abriu a Lição 2.

Às 13h45, passou a ler os textos rapidamente. O comportamento foi o mesmo: não

abriu links, não olhou para as ilustrações e passou rapidamente para a Lição de Casa,

acessando em seguida o questionário. Dessa vez, acertou todas as questões, terminando a

Lição 2 em quinze minutos.

À pergunta “Por que você vai direto ao questionário?”, ele respondeu que era “para

não embaralhar”. Quando a pesquisadora pediu para ele explicar melhor, disse: “é que se eu

ver as outras coisas esqueço tudo e não consigo responder às perguntas”.

9 Na época em que os minicursos foram implantados a orientação passada para os monitores foi a de que tanto

as duas folhas que compunham o Currículo quanto as duas folhas da Lição de Casa poderiam ser impressas e

levadas pelo usuário. Alguns monitores ou não assimilaram a nova orientação em relação à Lição de Casa ou

se esqueceram de avisar o usuário.

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Às 14h03, J.C.P.A. iniciou a leitura dos textos da Lição 3. Às 14h15 demonstrou

cansaço: chegou mais perto do computador, franziu a testa e reclamou da quantidade de

texto dizendo que “tem muita coisa para ler”. Em relação ao box da Lição de Casa, leu

rapidamente o texto.

À pergunta: “Já leu?, ele disse: “Já vi, já dei uma olhada”, respondendo e ao mesmo

tempo clicando no ícone do questionário. Em relação a este questionário, comentou que não

compreendia as palavras ‘transferível, palpável e audível’.

Mesmo já sabendo que, se quisesse, poderia imprimir as lições de casa, o usuário

não demonstrou qualquer interesse. Limitou-se a ler os textos e a responder as perguntas.

Disse que sabia muita coisa sobre o tema e que não precisava de mais informações.

Comentou que as cores da página eram muito fracas e que poderiam ser de “cores mais

fortes, como o azul, por exemplo”.

“As letras inclinadas ajudam a entender melhor”

Estudo de Caso 2 –R.P., 16 anos, estudante do Ensino Médio, morador do Jardim São

Paulo, usuário do Infocentro Pétalas de Amor há um ano.

Este usuário se mostrou curioso, atento e familiarizado com a navegação pela

Internet. Utilizava o Infocentro para vários serviços: mandava e recebia e-mails, fazia

pesquisas escolares em sites educacionais, procurava emprego, freqüentava cursos pelo

Webaula, havia feito três minicursos, participava de bate papos. Comentou que quase tudo

o que sabia de informática aprendeu no Infocentro: “eu fiz um cursinho de informática, mas

praticamente tudo que aprendi foi aqui mesmo na rede.”

Não lia jornais com freqüência, mas gostava de revistas como Galileu, por exemplo.

A última matéria que se lembrava era sobre as estrelas ‘canabais’ (?) e o sistema solar, o

que o fez pesquisar depois ‘mais alguma coisa na Internet. O estudante ouvia rádio

diariamente (CBN de manhã e Gazeta à noite).

Quando a pesquisadora chegou ao Infocentro, por volta das 11 horas, notou que o

lugar estava bastante sujo. Segundo a monitora, não havia água e portanto não tinha como

limpá-lo. Mas na verdade os micros estavam sujos e o piso que era originalmente cinza não

tinha mais uma cor definida. A monitora também não demonstrou ter muitos

conhecimentos sobre a atividade e suas potencialidades. Durante a permanência da

pesquisadora no Infocentro - das 11 até às 14 horas – a monitora não indicou os minicursos

a nenhum usuário.

Na primeira etapa da pesquisa, o usuário havia escolhido o minicurso Como fazer

nós de gravata; dessa vez escolheu o tema Dengue.

Iniciou a Lição 1 às 12h08, ‘passeou’ pela página, viu a quantidade de texto pela

barra de rolagem, abriu o link Dicas de Estudos. Leu rapidamente os textos, passou pelo

item Lição de Casa, sem imprimi-la. Em seguida, clicou em Teste seu Conhecimento.

Em duas tentativas conseguiu responder corretamente todas as questões. Finalizou a Lição

às 12h20.

Antes desse usuário iniciar nova lição, a pesquisadora pediu para que comentasse a

respeito de alguns aspectos da página (linguagem, navegabilidade etc).

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Em relação à fonte, ele disse: “está boa, as letras inclinadas ajudam a entender

melhor e os intertítulos também ajudam bastante”. Em termos de conteúdo, disse que não

teve dificuldade de entendimento do texto, porque a leitura é fácil, mas havia uma única

palavra que não conhecia: cisternas. Ao ser perguntado por que ele só abriu o link Dicas de

Estudo, este usuário disse: “Não tive curiosidade porque já tive aulas do tema. O assunto já

é bem familiar para mim”. Depois de conversar com a pesquisadora um pouco mais, o

usuário iniciou a Lição 2, às 12h24.

Antes de iniciar a leitura dos textos, abriu o link Saiba Mais, mas não imprimiu o

material e a seguir iniciou a leitura do conteúdo da Lição2.

Passou rapidamente pelo box Lição de Casa, mas não imprimiu, nem fez qualquer

comentário. Em seguida, abriu o questionário e fez três tentativas para responder

corretamente todas as questões. Na questão 2, ele não sabia o significado da palavra

‘intermitente’.

Ao ser perguntado por qual motivo ele não havia retornado ao texto para responder

às questões que tinha dúvidas, ele falou: “Resolvi chutar para ver no que dava”.

Também à pergunta ‘por que ele não imprimiu as lições?’, ou pelo menos a Lição

de Casa, ele respondeu: “ Eu não sabia que podia imprimir, ninguém nunca falou isso”.

Depois de conversar mais um pouco, o usuário iniciou a Lição 3, às 12h45.

Mesmo estando na última lição, não demonstrou cansaço, leu rapidamente os textos

com bastante interesse. Fez o seguinte comentário: “Eu apliquei o que aprendi sobre

dengue na minha casa. Pena que o meu vizinho não tem os mesmos cuidados que a minha

família tem”.

Foram três tentativas para finalizar o teste que concluiu às 12h45.

Comentários gerais relativos à segunda etapa da pesquisa

A segunda etapa da pesquisa mostrou que, na época, a maioria dos monitores não

estava ainda familiarizada com a demanda que os Minicursos, enquanto uma nova atividade

a ser oferecida aos usuários requeria. Por exemplo, nenhum dos usuários entrevistados disse

ter recebido instruções de que poderia imprimir o material disponível na página. Todos os

entrevistados disseram também desconhecer as instruções básicas para o desenvolvimento

da atividade e que era melhor fazer uma lição de cada vez.

De modo geral, a linguagem empregada foi considerada adequada pelos usuários

entrevistados, à exceção de algumas palavras não compreendidas nos questionários.

Entretanto, dentre as reclamações a mais recorrente foi a quantidade dos textos (conteúdo)

em todos os minicursos.

Essa pesquisa evidenciou também - tanto na primeira quanto na segunda etapa - que

ocorre um fato interessante relacionado à forma de aprendizagem dos usuários. Todos os

usuários demonstraram preocupação excessiva em responder os questionários rapidamente.

Quando não acertavam os resultados das questões não retornaram ao texto para refletir

sobre o conteúdo que estava sendo trabalhado.

Não obstante, a pesquisa mostrou que os minicursos como mecanismos de inclusão

digital são um meio bastante interessante para a utilização das tecnologias de informação e

comunicação (TICs) e fomentar a produção e o aprendizado de forma autônoma por

qualquer internauta iniciante. Foi possível perceber também que é mais producente para o

público em geral aprender usando os recursos disponíveis do que fazer cursos direcionados

estritamente para o uso das TICs e de softwares. Ou seja, nos programas de inclusão digital

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para a educação não basta um treinamento que se limite à transmissão de informações

técnicas, mas é preciso incentivar a cultura do aprendizado on-line e sua importância social.

Um usuário, ao fazer um minicurso, experimenta um aprendizado de modo autônomo com

aplicação imediata e concreta.

A arte pedagógica e tecnológica de aprendizagem

O foco no usuário e na utilização dos recursos de aprendizagem on-line nos postos

de acesso público à Internet, como inicialmente proposto, deve permanecer como uma das

diretrizes fundamentais de qualquer programa de inclusão digital como é o caso do Acessa

São Paulo . Atualmente são 30.234 usuários/alunos cadastrados nos minicursos (média de

16,1 cadastros por dia). Serão lançados nos próximos meses mais três novos temas:

Consumidor: você tem direitos; As doenças do sexo – como prevenir as doenças

sexualmente transmissíveis e Aids - e Como fazer uma horta, disponibilizados

gratuitamente no portal Acessa SP.

Hoje é até possível dizer que, em termos de resultados concretos e em certas

circunstâncias, o estado da arte da EAD tem algumas importantes vantagens em relação ao

aprendizado presencial, ou seja, com um professor à frente da sala de aula. Em primeiro

lugar, um curso pode ser elaborado por diferentes especialistas que podem facilitar os

entrecruzamentos de informações - por meio de hipertextos e links – e fazer um

planejamento dos recursos necessários para o aprendizado de um determinado tema; em

segundo, há a opção de se fazer cursos que contem também com um professor presencial; e,

em terceiro lugar, é que um curso disposto na rede – de curta ou maior duração - pode estar

estruturado para a interatividade e o caráter de colaboração entre os alunos-participantes

Nesse sentido, as tecnologias de informação e comunicação e aprendizagem

relacionam-se mais com o desenvolvimento da arte de selecionar as tarefas consideradas

importantes pelos usuários e não mais com as impostas pelo ensino presencial tradicional.

Os percursos, conhecimentos e competências adquiridos por uma pessoa são todos

singulares e podem cada vez menos se restringir a programas ou cursos válidos para todos.

Hoje, habitam-se espaços de conhecimentos abertos, contínuos e não-lineares, que se

reorganizam segundo o contexto de cada um. Do mesmo modo o conceito de rede é

utilizado como uma alternativa de organização coletiva que possibilita respostas a uma

série de demandas de flexibilidade, conectividade e descentralização da atuação social,

reconduzindo a comunicação para uma lógica de sistemas organizacionais capazes de

reunir indivíduos e instituições de forma descentralizada, participativa e ao mesmo tempo

autônoma. A comunidade não precisa de um território físico para estudar e aprender, mas

de um território virtual de composições afetivas reais, no qual a mania de saber linkar e ser

linkado10

seja uma poderosa ferramenta de trabalho.

A autonomia no aprendizado diz respeito também ao modo como o usuário quer

estudar determinado assunto a partir de suas próprias habilidades. Esta é uma questão de

extrema relevância entre as diretrizes de todas as pesquisas realizadas pela Escola do

10 DIMANTAS, H. “A linkania é a expressão do engajamento das pessoas em rede. Uma troca generosa de links que

catalisa a conversação, provoca e solidifica o engamento. A rede é formada por nós. Nós linkados uns com os outros. É o

poder dos links: linkar e ser linkado”. <http://www.lidec.futuro.usp.br/downloads/linkania_hernani_mestrado.pdf>

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Futuro e para a gestão de programas de inclusão digital que impliquem temáticas e

abordagens também para a expansão da aprendizagem em EAD.

Ou seja, talvez, o internauta iniciante tenha maiores condições de se qualificar por

um sistema de aprendizado não-formal à distância e num nível de excelência, apenas

sabendo o que quer para si todos os dias.

Referências:

ASSUMPÇÃO, R. Telecentros comunitários: peça chave da inclusão digital – a

experiência do sampa.org”, in Silveira, Sérgio; Cassino, João. Software livre e inclusão

digital. Conrad Editora do Brasil. São Paulo, 2003

BAUER, M.W.& GASKEL, G. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som. Um manual

prático. Trad. Pedrinho A. Guareschi, 2 ed. Petrópolis, RJ:Vozes, 2002.

CASTELLS, M. A Sociedade em rede. São Paulo, SP: Paz e Terra, volume I, 4ª. edição,

1999.

______ . Internet e Sociedade. In: MORAES, Denis de (Org.). Por uma outra comunicação:

mídia, mundializaão, cultura e poder. Rio de Janeiro: Record, 2003.

COSTA, Rogério. Comunidade Virtual: fácil de participar, desafiador de construir e árduo

de manter. Disponível em <http://www.educatica.net/participantes/artigo_1rogerio.php>

______. A cultura digital. Publifolha 2002.

DELEUZE, G. e GUATTARI, F. Micropolítica e segmentaridade, in Mil Platôs, vol. IV,

Ed. 34, São Paulo: 1996.

DIMANTAS, H. Linkania – a sociedade da colaboração. Dissertação de mestrado do

Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica, PUCSP, 2006. Disponível em

http://www.lidec.futuro.usp.br/downloads/linkania_hernani_mestrado.pdf

GUZZI, Adriana. Participação Pública, Comunicação e Inclusão Digital. Dissertação de

mestrado do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica, PUCSP, 2006.

Disponível em: http://www.lidec.futuro.usp.br/downloads/drica-mestrado--tese-

somente.pdf

HARGITTAI, Eszter. Internet access and use in context. Artigo disponível em

www.eszter.com/research/pubs

LÉVY, Pierre.; A inteligência coletiva - por uma antropologia do ciberespaço; Loyola;

1994

LITTO, Fredric M. Telecentros Comunitários, uma resposta à Exclusão Digital. Artigo

disponível em www.futuro.usp.br, dez. 2000.

MATIELO, Daniela. Pesquisa: Processos de apropriação tecnológica e desenvolvimento de

competências de informação a partir dos percursos de usuários iniciantes do Programa

AcessaSP. Disponível em: http://www.acessasp.sp.gov.br/html/modules/xt

conteudo/index.php?id=38.

SILVEIRA, S.A. Inclusão Diital, Sofware Livre e Globalização Contra-Hegemônica.

Artigo. Disponível em <www.softwarelivre.gov.br>

WARSCHAUER, Mark. Reconceptualizing the Digital Divide. First Monday [online].

2002, Vol. 7, N 7. Disponível em: <http://www.firstmonday.dk/issues/issue7_7/

warschauer/>. Acesso em: 12 Jan 2007.

Sites consultados:

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www.acessa.sp.gov.br – Programa AcessaSP

www.imesp.com.br – Imprensa Oficial do Estado de São Paulo

www. futuro.usp.br – Escola do Futuro da USP

http://www.lidec.futuro.usp.br - Laboratório de Inclusão Digital e Educação Comunitária

(LIDEC) da Escola do Futuro da USP

http://minicursos.futuro.usp.br/minicursos

http://www.elearningbrasil.com.br/ - E-Learning Brasil

http://www.cgi.br/ Comitê Gestor da Internet no Brasil

http://comunidade.cdtc.org.br – Centro de Difusão de Tecnologia e Conhecimento

http://www2.abed.org.br. Associação Brasileira de Educação a Distância

http://pt.wikipedia.org Wikipédia enciclopédia livre http://www.digitaldivide.net – Digital Divide Network http://www.digitaldividecouncil.com – Digital Divide Council http://www.facom.ufba.br http://www.idrc.ca http://meta.comunix.org/ - Comunix http://pcvb.utopia.com.br/tiki-index.php - Ponto de Cultura Vila Buarque

http://moodle.org/ http://drupal.org/