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A Experincia Onrica Consciente

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Sonhos Lcidos A Experincia Onrica A Experincia Onrica A Experincia Onrica A Experincia Onrica

ConscienteConscienteConscienteConsciente

Cleber Monteiro Muniz

Edio especial para distr ibuio gratuita pela Internet,

atravs da Virtualbooks, com autorizao do Autor. O Autor gostaria de receber um e-mai l de voc com seus comentrios e crt icas sobre o l ivro. A VirtualBooks gostaria tambm de receber suas crt icas e sugestes. Sua opinio muito importante para o aprimoramento de nossas edies: Vbooks02@terra.com.br Estamos espera do seu e-mai l . Sobre os Direitos Autorais: Fazemos o possvel para cert i f icarmo-nos de que os materiais presentes no acervo so de domnio pbl ico (70 anos aps a morte do autor) ou de autoria do t itular. Caso contrrio, s publ icamos material aps a obteno de autorizao dos proprietrios dos direitos autorais. Se algum suspeitar que algum material do acervo no obedea a uma destas duas condies, pedimos: por favor, avise-nos pelo e-mail: vbooks03@terra.com.br para que possamos providenciar a regularizao ou a ret irada imediata do material do site.

www.virtualbooks.com.br

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Sonhos Lcidos A Experincia Onrica Consciente

Viagens da Conscincia ao Mundo dos

Sonhos

Cleber Monteiro MunizCleber Monteiro MunizCleber Monteiro MunizCleber Monteiro Muniz

PONTIFCIA UNIVERSIDADE CATLICA COGEAE

So Paulo

2001

4 PONTIFCIA UNIVERSIDADE CATLICA

COGEAE

A Experincia Onrica Consciente

Viagens da Conscincia ao Mundo dos Sonhos

Cleber Monte i ro Muniz

Orientadora: Profa Dra Noely Montes Moraes

Monografia apresentada como exigncia parcial

para obteno do ttulo de Especialista

em Abordagem Junguiana

So Paulo 2001

5 Para refletir:

At agora tens pensado que teus cinco sentidos te informam sobre o mundo exterior. No assim, no h tal mundo exterior, nem h tal mundo interior. Estes so ilusrios conceitos que no podem penetrar mais alm das formas. O Real o que no forma, e sendo a Vida, tudo quanto .

Observa que o arco e as f lechas no apontam em uma mesma

direo, seno em duas simultneas. Entender e viver esta simultaneidade a primeira rebelio da mente, rebelio que terminar pelo despertar do todo.

E se refletir um pouco no que trata de expressar esta

simultaneidade, de pronto percebers tambm que no s teu corpo, seno aquele que vive em teu corpo, que anima teu corpo e que por falta de melhor expresso, aqui chamo de Deus-ntimo invisvel.

Com teus cinco sentidos, atributos do teu eu-pessoal, do eu-forma,

no te dado a penetrar mais alm da superfcie das formas. Quando sejas conscientes de que teu Deus-ntimo quem usa teus cinco sentidos, te ser dado a penetrar no signif icado, na Essncia, no Esprito de todas as coisas, que tambm Deus-ntimo.

(Trecho de uma carta recebida por Armando Cosani e

constante em seu livro O Vo da Serpente Emplumada)

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Agradecimentos - A Snia Regina Dias dos Santos Muniz (minha amada imortal) e a Gabriela sis dos Santos Muniz, os dois maiores amores da minha vida que sempre me compreenderam e tiveram infinita pacincia comigo - Aos meus pais, irmos, familiares: Rubens de Lara Muniz (in memorian), Maria Dalzimar Monteiro, Eliana Monteiro Muniz, Srgio Monteiro Muniz, minhas avs Alice e Eudete, meus primos e tios (tantos!) - Aos meus amigos: Dnei Courel & Vera; Andrea, Paulinho, Vivi, Lilian & Dona Vanja; Prophetic Age; Gugu, John Crazy, Hilton, Tucano e Mendigo; Roberto, Cristiano Claudino & Hosana (in memorian); Henrique, Luzia, Ana Regina Gallo & Emerson; Roseli, Mauro, Luizo, Edson, Renata, Maria Lcia, Silmara, C. S. Brambilla, Marizete, Alessandra, Deise & Simone; Gilberto & Mrcia; Teresa & Daniel Marx; Sueli, Andressa, Daniel Caldeira e tantos outros que levariam muitos volumes para serem mencionados - professora Noely Montes Moraes, que me orientou neste trabalho - Aos professores do curso de especializao em Abordagem Junguiana que comigo compartilharam seus conhecimentos de psicologia analtica: Durval, Helosa e M Ruth - Aos colegas: Ivelise, Dbora, Fernanda, Dado, Francisco, Pedro, Vernica e s Elaines (Soria e Rocha) - A Wellington Zangari, Ftima Regina Machado e o grupo Interpsi da PUC. - A todos os grandes mestres acadmicos e extra-acadmicos que desbravaram os caminhos para o mundo da alma

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Este trabalho dedicado a todos aqueles que anelam

conhecer a realidade dos mundos interiores.

( i ) M U N I Z , C l e b e r M o n t e i r o

(ii) A Experincia Onrica Consciente: Viagens da Conscincia ao Mundo dos Sonhos

O r i e n t a d o r a :

Profa Dra Noely Montes Moraes

P a l a v r a s c h a v e : sonhos conscincia inconsciente mundo imaginal introspeco

R e s u m o A l g u m a s p e s s o a s d e s p e r t a m d e n t r o d o s s o n h o s e c o m p r e e n d e m q u e s e u s c o r p o s f s i c o s d o r m e m , d e s f a l e c i d o s n a s c a m a s . E s t e u m e s t u d o d e t a i s c a s o s , d o s b e n e f c i o s e d a s p o s s i b i l i d a d e s d e e x p l o r a o q u e n o s a b r e m . N e s t a o b r a , o m u n d o o n r i c o a b o r d a d o c o m o f o r m a p a r t i c u l a r d e r e a l i d a d e , c o m o r e a l s u a p r p r i a m a n e i r a . u m a p o r o p s q u i c a d o m u n d o r e a l . N e l a , n o s e c o n c e b e a r e a l i d a d e c o m o l i m i t a d a a o m u n d o e x t e r i o r n e m o m u n d o i m a g i n a l c o m o i l u s r i o . A f u n o o n r i c a , a l i m i t a o c o g n i t i v a a r e s p e i t o d o s s o n h o s p o r p a r t e d o h o m e m o c i d e n t a l c o n t e m p o r n e o , a s e s t r a t g i a s p a r a o b t e n o d e e x p e r i n c i a s o n r i c a s c o n s c i e n t e s e o s e f e i t o s r e s u l t a n t e s d a s m e s m a s f o r a m a b o r d a d o s t e n d o e m v i s t a a c o m p r e e n s o d o o b j e t o . A o f i n a l , h t r s r e l a t o s d e e x p e r i n c i a s d e s s e t i p o . E s p e r o t e r c o n t r i b u d o , a i n d a q u e e m p e q u e n s s i m o g r a u , p a r a a a m p l i a o d o s h o r i z o n t e s h u m a n o s . D e s e j o q u e e s t a c o n t r i b u i o , a i n d a q u e m o d e s t a , s e j a v e r d a d e i r a e , p o r i s s o m e s m o , v l i d a .

8 ndice:

Introduo

1.A realidade do mundo dos sonhos nos tempos antigos e hoje

2.A funo dos sonhos

3.O estado no-usual da conscincia extra-vgil

4.A modalidade lcida de sonhar

4.1.O que so sonhos lcidos

4.2.Benefcios proporcionados

por experincias onricas conscientes

4.3.A prtica do despertar da

conscincia intra-onrica

5.Metodologia

6.Relatos de experincias onricas conscientes

Consideraes f inais

Bibliograf ia

9 Introduo

H ( . . . ) g r a n d e r i q u e z a e s p e r a

d a s p e s s o a s q u e s o p e r s e v e r a n t e s e q u e

p e r s i s t e m e x p l o r a n d o a s d i m e n s e s e a s

p r o f u n d i d a d e s d a p r p r i a a l m a .

( S a n f o r d )

O tema desta monograf ia conscincia intra-onrica e se relaciona com experincias onricas conscientes, s quais so tambm

denominadas sonhos lcidos e correspondem a viagens conscientes do ego ao mundo dos sonhos, um mundo de imaginao no interior do

homem. Optei pela adoo do pref ixo intra para designar especif icamente uma conscincia atuante no interior do prprio sonho e no durante a vigl ia. Desde a adolescncia, gosto muito de ler e de investigar

empiricamente o assunto.

Quando criana, eu gostava muito de lutar. Bruce Lee era, para

mim, o heri mais digno de admirao e no qual eu me espelhava. Aos

treze anos, t ive um sonho no qual um mestre me ensinava um golpe de

artes marciais cuja possibil idade de existir eu nunca havia cogitado. O

golpe, em si, no era muito efetivo, em situao de combate real, mas o

sonho em que surgiu me chamou a ateno por ter me instrudo sobre

algo que conscientemente ignorava. Alm do mais, havia uma falha

tcnica no movimento de contra-ataque ensinado que no pude suprir.

Comentei tal fato com meu irmo menor e ento subitamente t ivemos um

insight: o que poderia ser feito se, dentro do sonho que tive, eu me desse

conta de que estava sonhando? Poderia perguntar ao prprio mestre

onrico a respeito da falha e ele talvez pudesse me ensinar a super-la.

10 Cogitamos, ainda, a possibil idade de realizarmos durante o sonho os

desejos mais impossveis. Desde ento o tema me chama ateno.

Normalmente, quando uma pessoa dorme e sonha, no se d conta,

naqueles exatos momentos em o corpo est dormindo, de que est

sonhando. Em tais casos, as reaes do ego ante as cenas que presencia

sugerem que no compreende que est em um mundo de imagens e

sonhos desprovido de carter f sico. Quando se depara com um leo

ameaador, por exemplo, tende a fugir ou f icar aterrorizado. Quando a

imagem presenciada a de um assassino armado e perigoso, o ego pode

tentar se esconder com medo ou buscar refgio em algum ponto da cena

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