2005_avieira_suga_ bibliografia

Click here to load reader

  • date post

    09-Apr-2018
  • Category

    Documents

  • view

    271
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of 2005_avieira_suga_ bibliografia

  • 8/8/2019 2005_avieira_suga_ bibliografia

    1/604

    CANAVIAIS, ACAR, ENGENHOSBIBLIOGRAFIA FUNDAMENTAL

    ORGANIZAO deAlberto Vieira avieira@avieira.net

    Da Papua Nova Guin Madeira Normalmente associa-se o acar cana sacarina. Foi assim durante muito tempo, mas a partir do sculo XVIII isto deixou de ser assim com a possibilidade de fabrico do mesmo a partir da beterraba. J em 1575 Franois Olivier de Serres (1539-1619) em "Theatre dell'A-griculture" referia a possibilidade de extrair acar a partir da beterraba, mas s em1745Frederico O Grande da Prssia ordenou aos qumicos que investigassem a forma de retirar sacarose.

    Em 1747 o Baro Andreas Sigismond Marggraf [1709- 1782], da Academia de Cincias deBerlim, confirmou que o acar existente na Beterraba era igual ao da cana sacarina. E em

    1786 Carl Franz Achard a partir de um estudo sistemtico sobre a beterraba e montou a primeira fbrica de acar de beterraba. A partir daqui a beterraba avana na batalha parasuplantar o acar o que ir conseguir a partir de 1880. Foi o colapso do mercado do mer-cado aucareiro que s as duas guerras mundiais do sculo XX puseram um travo1.

    A beterraba conduziu a inovaes na indstria e qumica do fabrico do acar. A nova tec-nologia usada desintegrou o sistema de fabrico de acar. A beterraba conduziu a umatransformao do sistema de produo de acar, com o aparecimento das fbricas e labora-

    1 . Ware, Lewis Sharpe, 1851-Sugar beet seed; a work for farmers, seedsmen, and chemists, containing historical, botanical, and theoreti-cal data, combined with practical directions for the production of superior sugar beet seed. Chicago, New York [etc.] Orange Judd com- pany [1898]; Ware, Lewis Sharpe, 1851-The sugar beet: including a history of the beet sugar industry in Europe, varieties of the sugar beet, examination, soils, tillage, seeds and sowing, yield and cost of cultivation, harvesting, transportation, conservation, feeding qualitiesof the beet and of the pulp, etc. Illustrated with ninety engravings. Philadelphia, H.C. Baird & co., 1880; SAILLARD Emile. Betterave etsucrerie de betterave. Paris J.B. Baillre 618 pages illustres. Encyclopdie agricole 1913 ; Bridges, Archibald.Sugar beet in France, Belgium, Holland and Germany, by A. Bridges and R.N. Dixey. Oxford, The Clarendon Press, 1928 La culture de la betterave, lgisla-tion, technologie, Cambrai, Imprimerie de ligne, 1900 Palmer, Truman Garrett, Sugar beets in New England and free sugar bill of theHouse of Representatives. Letter of Truman G. Palmer... concerning the production in 1837 at Northampton (Mass.) of the first beetsugar produced in America... Washington: Government printing office, 1912; IDEM, 1858-Sugar beet seed, history and development, 1sted.New York, John Wiley & sons, inc.; [etc., etc.] 1918; Palmer, Truman Garrett,Sugar beets in New England and free sugar bill of the House of Representatives. Letter of Truman G. Palmer... concerning the production in 1837 at Northampton (Mass.) of the first beet sugar produced in America...Washington: Government printing office, 1912; IDEM-Sugar beet seed, history and development , 1sted.New York, John Wiley & sons, inc. [etc., etc.] 1918.

    http://../avieira@avieira.nethttp://0.0.0.0/http://0.0.0.0/http://0.0.0.0/http://../avieira@avieira.net
  • 8/8/2019 2005_avieira_suga_ bibliografia

    2/604

    trios. O sucesso beterraba deveu-se aos mtodos avanados em termos tecnolgicos equimicos.

    O acar est ainda disponvel numa variedade de frutos, mas sem valor industrial, apenasno sorgo2 e acer 3 se conhecem algumas tentativas de sucesso no fabrico do acar. No

    arquiplago fizeram-se algumas tentativas de plantao no Porto Santo e Norte da ilha daMadeira, mas apenas para fabrico de aguardente.

    At 1858, com as primeiras experincias em Barbados, a reproduo da cana para cultivofazia-se apenas pelo caule. A segunda metade do sculo XIX o momento de afirmaodas sementes na expanso da cultura e do aparecimento de novas variedades de cana, frutoda actividade de estaes agrcolas experimentais, criadas em Mauritius (1840), Brasil(1860), Puer to Rico (1872). A cana crioula deu lugar uma variedade, como aotaheiti, bourbon, 4

    O Acar pode muito bem ser considerado uma conquista do mudo islmico e budista5, talcomo o po e o vinho o so do cristianismo. O factor religioso foi fundamental na afirma-o e divulgao do produto, daqui resultar a cada vez maior afirmao a partir dos pri-meiros sculos da nossa era. A cana sacarina (saccharum officinarum) ter sido domestica-da h cerca de 12.000 anos na Papua (Nova Guin). Entre 1500 AC e 500 DC a culturaespalhou-se pela Polinsia e Melansia, mas foi na ndia que adquiriu maior importncia,expandindo-se entre o sculo I e VI DC. Foi a que os europeus tomaram contacto com o produto e cultura, comeando o comercio e depois com o transplante da cultura para osvales dos rios Tigre e Eufrates. Aqui, os rabes tiveram conhecimento da cultura e levaram-na consigo para o Egipto, Chipre, Siclia, Marrocos e Valncia. Foi no culminar na expan-so rabe no Ocidente que a Madeira serviu de trampolim da cultura para o Atlntico,situao que foi o incio da fase mais importante da Histria do acar.

    O acar , entre todos os produtos que no Ocidente se atribuiu valor comercial, o que foialvo de maiores inovaes no seu fabrico. Note-se que no caso do fabrico do vinho a tecno-logia pouco ou nada mudou desde o tempo dos Romanos. Vrias condicionantes favorece-ram a necessidade de permanente actualizao, situao que se tornou mais clara no sculoXVIII com a concorrncia da beterraba. Mesmo assim ainda hoje persistem em algunsrecantos do Mundo, na China, ndia ou Brasil, onde a tecnologia da revoluo industrialainda no entrou.

    2 . H. S. Olcott,Sorgo and Imphee, the chinese and african sugar canes,Noa York, 1858; Adrien Sicard,Monographie de la Canne Sucre de la Chine dite Sorgho Sucre. Culture, employs, etudes diverses, Paris, 1861.3 . Trelease, William, 1857-1945. The sugar maples, with a winter synopsis of all North American maples. [n.p., 1894], Fox , William F.(William Freeman), 1840-1909.The maple sugar industry/ by William F. Fox and William F. Hubbard; with a discussion of the adul-terations of maple products. I Washington, D.C.: U.S. Dept. of Agriculture, Bureau of Forestry, 1905;Sugar maple ecology and health proceedings of an international symposium, June 2-4, 1998, Warren, Pennsylvania / edited by Stephen B. Horsley, Robert P. Long ;sponsored by USDA Forest Service, Northeastern Research Station ... [et al.]. Radnor, PA (5 Radnor Corp Ctr, Suite 200, Radnor 19087-4585) : The Station, [1999]4 . Cf. S. Pruthi, History of Sugar Industry in ndia, N. D. 1995, pp.99-126; W. Kelleher Storey,Science and Power in colonial Mauritius,Rochester, 1997, pp.5, 45, 71-151; Daniel Bgot, Le Sucre de lAntiquit son Destin antillais, Paais, 2000, pp.55, 58, 138; Dillewijn, C.van. Botany of sugarcane, Waltham, Mass.: Chronica Botanica, 1952; Stubbs, Wm. C.Sugar cane. A treatise on the history, botany and agriculture of sugar cane...[n.p., n.d.]; Zitkowski, Herman E.The seeding method of graining sugar , by H.E. Zitkowski ... Read at thetenth annual meeting of the American Institute of Chemical Engineers, Gorham and Berlin, N.H., June 19-22, 1918. [n.p., 1918]5 . Sucheta Mazumbar,Sugar and Society in China, Londres, 1998, pp.21-27; Christian Daniels, Agro-Industries: Sugarcane Technology,in Joseph Needham,Science & Civilisation in China, vol. VI, part. III, Nova Iorque, 1996, pp-61-62, 278, 192

    http://0.0.0.0/http://0.0.0.0/http://0.0.0.0/http://0.0.0.0/http://0.0.0.0/http://0.0.0.0/http://0.0.0.0/http://0.0.0.0/http://0.0.0.0/http://0.0.0.0/http://0.0.0.0/
  • 8/8/2019 2005_avieira_suga_ bibliografia

    3/604

    O fabrico do acar est limitado pela situao e ciclo vegetativo da planta. A cana sacarinatem um perodo til de vida em que a percentagem de sacarose era mais elevada. A canaestava pronta para ser colhida e a partir daqui um dia que passasse era uma perda para o produto. Acresce que a cana depois de cortada tem pouco mais de 48 horas para ser moda ecozida, pois caso contrrio comea a perder sacarose e inicia o processo de fermentao.

    Daqui resulta a necessidade de acelerar o processo de fabrico do acar atravs de constan-tes inovaes tecnolgicas que cobrem o processo de corte esmagamento e cozedura. A isto junta-se o aumento da mo-de-obra, que se faz custa de escravos africanos. A cana-de-acar no est na origem da escravido africana mas no processo de afirmao a partir daMadeira.

    Enquanto a cultura se fazia em pequenas parcelas a maior parte das questes no se coloca-vam, mas quando se avanou para uma produo em larga escala houve necessidade deencontrar solues capazes de debelar a situao. A viragem aconteceu a partir de meadosdo sculo XV na Madeira e dever ter implicado mudanas radicais na tecnologia usada ena afirmao da escravatura dos indgenas das Canrias e dos negros da Costa da Guin. por isso que se assinala a partir da Madeira importantes inovaes tecnolgicas no sistemade moenda da cana com a generalizao do sistema de cilindros.

    A histria Tecnolgica evidencia que a expanso europeia condicionou a divulgao detcnicas e permitiu a inveno de novas que contriburam para revolucionar a economiamundial. Os homens que circularam no espao atlntico foram portadores de uma culturatecnolgica que divulgaram nos quatro cantos e adaptaram s condies dos espaos de povoamento agrcola. Aos madeirenses foi atribuda uma misso especial nos primrdiosdo processo.

    Na Madeira, um dos aspectos mais evidente, da revoluo tecnolgica iniciada no sculoXV prende-se com a capacidade do europeu em adaptar as tcnicas de transformao con-hecidas a circunstncias e s exigncias de culturas e produtos to exigentes como a cana eo acar. O tributo foi evidente. Ao vinho foi-se buscar a prensa, ao azeite e aos cereais am de pedra. Por outro lado estamos perante uma permut